sábado, dezembro 26, 2009

E agora?

O Hot Clube de Portugal está suspenso da (boa) vontade das Altas instâncias Camarárias.
O Templo do Jazz em Portugal está encerrado por força do fogo e da água.
Será que o vamos ter de volta? No mesmo local? Com a mesma Alma?
Ver excelente acompanhamento deste assunto em http://jnpdi.blogspot.com/

domingo, dezembro 20, 2009

Anna Vinnitskaya

que acabo de ouvir no Mezzo (canal de tv), em execução muito próxima do excelente dos "Quadros de uma exposição", de Modeste Mussorgsky (1839-1881). Durante algum tempo coleccionei interpretações desta peça e posso afirmar que esta foi de manter em memória. Anna Vinnitskaya. Atenção! Temos mais uma estrela a brilhar lá no céu dos sons mágicos.

sábado, dezembro 12, 2009

Matthew Herbert

Matthew Herbert Big Band hoje às 21h, em Barcelona, no Palau de la Musica.
E vou eu perder uma coisa destas. O homem já anda a dar concertos desde 1995 e eu só agora é que me apercebi da importância desta figura. Passo a explicar. Vi, no Mezzo, e felizmente gravei um concerto que ele deu em Paris, em Setembro do ano passado, e fiquei de queixo caído. Já andava desconfiada que havia ali qualidade e muita estética, porque já me tinha posto a ouvir excertos do seu cd com a big band "there 's me and there's is you" e fiquei alerta. Mas como me dispersei ou concentrei noutras muitas coisas, nunca mais pensei no assunto.
Isto é música transversal do melhor, transversal no estilo e no método. Século XXI, absolutely. Constroi desconstroi faz refaz mistura o que ouve reproduz a mistura e altera-nos o estado de espírito e desassossega e sossega...e faz-nos sentir contentes ou infelizes por termos nascido.
E hoje não vou estar em Barcelona...
Matthew Herbert nasceu no sul de Inglaterra, tem formação musical clássica, começou a tocar violino e piano aos 4 anos de idade. O pai era técnico de som na BBC. E...para mais info, é favor visitar:
Não estou a dizer que gosto de tudo o que faz, mas gosto do seu trabalho com a Big Band, da fantástica cantora que o acompanhou no concerto que vi/ouvi e reconheço-lhe alta qualidade. (Moloko, Dani Siciliano, etc.)
Nota: O vídeo que aqui fica não é do concerto que vi no Mezzo e a vocalista também não.

terça-feira, novembro 10, 2009

Relembrar George Russell (1923-2009)


http://www.youtube.com/user/ashtrayheart23)
GEORGE RUSSELL SEXTET: George Russell - organ, Lew Soloff - trumpet, Robert Moore - tenor and soprano saxophones, Victor Comer - guitar, J.F.Jenny Clark - bass, Keith Copeland - percussion.

Nunca é demais relembrar a sua importância para a evolução do Jazz. George Russell, como é do conhecimento geral, desapareceu desta vida em Julho passado e deixou-nos interessantes teorias musicais que colocou em prática em conjunto com alguns dos mais notáveis músicos da História do Jazz. Basta pesquisar um pouco a net para se ter uma ideia...Este vídeo que encontrei no YT dá-o a ouvir numa fase diferente, que denota assimilação de novos recursos, mas onde não se perdem de vista (salvo seja) as suas linhas mestras de influência. E como gosto, aqui fica, até que o deixem ficar.

domingo, novembro 08, 2009

Jorge Colombo at The New Yorker


Jorge Colombo, um dos nossos valores nacionais a viver lá longe, nos Estados Unidos da América, continua a mostrar a sua arte de desenhar e estar um passo à frente quer em técnica, quer em bom gosto. Isto que aqui se vê foi desenhado com os dedos sobre o écran do seu telemóvel...Há muitos anos que admiro o seu trabalho e é com muito agrado que o vejo em continuidade na sua transcrição gráfica do fascínio que a vida urbana sobre ele parece exercer.

domingo, outubro 04, 2009

Ópera em jazz e sem vozes


Gosto muito e quero partilhá-lo. O último trabalho do contrabaixista e compositor John Patitucci, com Joe Lovano no clarinete alto e Brian Blade na bateria. Alta inspiração, soberba interpretação. A foto é só para repousar a vista.

domingo, setembro 06, 2009

Uma bela ópera contemporânea


Prazer que se adivinhava, sucessivamente adiado, finalmente gozado: Falo de L'Amour de loin, de Kaija Saariaho, compositora finlandesa contemporânea e da sua primeira ópera, cuja estreia em 2000 foi de imediato aclamada quer pela crítica, quer pelo público. Com libreto do escritor libanês radicado em França, Amin Maalouf sobre poesia de Jaufré Rudel, trovador francês do Séc. XII, dedicada a um amor imaginado e impossível (que afinal se revela possível porque um peregrino lhe diz existir uma mulher com aquela descrição em Tripoli, a condessa de Tripoli), encenação de Peter Sellars, Orquestra e Coro da Ópera Nacional Finlandesa, direcção de Esa-Pekka Salonen e interpretação de Dawn Upshaw (soprano), Monica Groop (mezzo-soprano) e Gerald Finley (tenor). Aconselho o DVD (Deutsche Grammophon 00440 073 4026 de 2004/2005) e uns bons auscultadores para que não se perca pitada desta maravilha. Deixo alguns links para a audição de excertos desta ópera (embora a qualidade de som não lhe faça justiça) e de outras obras de Saariaho igualmente belas.
E mais. Tenho uma pena imensa de não poder ter estado numa outra encenação desta ópera que teve lugar em Julho deste ano em Londres, com encenação de Daniele Finzi Pasca.

sábado, agosto 01, 2009

Há quanto tempo...Um clássico


Para começar bem o mês de Agosto, início de férias para muita e boa gente, e porque se deve entrar com um atitude positiva e de coração aberto (isto é um depósito, digo, este blog, de lugares "conhecidos"), aqui está - uma Joan Armatrading numa armadilha de há 30 anos atrás, muito bem esgalhada e sempre óptima de se ouvir. Boas Férias!

quarta-feira, julho 01, 2009

R.E.P. Pina Bausch (1940-2009)






Quando as palavras se tornam demasiado negras e tristes não apetece dizê-las. Ainda bem que existem os registos filmados, fotografados, escritos, porque uma arte assim...

quinta-feira, junho 18, 2009

Boris Vian no Arte


Logo às 19h45, no canal de tv Arte, um documentário sobre Boris Vian. Vou tentar não perder. A 23 de Junho próximo, terão decorrido 50 anos sobre a sua morte. Por acaso ainda há pouco o tinha recordado pela leitura de um artigo publicado na revista "os meus livros", escrito por Luis C. Marinha, de que tomo a liberdade de transcrever um excerto de excertos autobiográficos desta figura de culto francesa ("Boris Vian en Verve"): nascera 39 anos antes, "no dia 20 de Março de 1920, à porta da maternidade encerrada por causa de uma greve", na localidade francesa de Ville-d'Avray, Hauts-de-Seine, filho de Yvonne Ravenez e Paul Vian. "A minha mãe, grávida das obras de Paul Claudel - é desde essa altura que não o suporto - estava no final do seu 13º. mês de gestação e não podia esperar pela resolução do diferendo. Um santo homem, padre , que passava por acaso, pegou em mim e confortou-me: disse-me que eu era realmente disforme (data dessa altura a minha fobia aos incensórios). Por sorte, uma loba afamada, que acabara de dar à luz Pierre Herve, tomou-me sob a sua guarda e deu-me de beber. Cresci em força e sabedoria, mas nunca deixei de ser feio e disforme embora ornado de um sistema piloso descontínuo mas bastante desenvolvido. Na verdade, eu tinha a cabeça da Vitória de Samotrácia."
Enquanto escrevo isto, ouço o único cd que tenho de Boris Vian, que, como se sabe, tocava trompete de bolso ("trompinette c'est une petite trompette") nos bares de jazz parisienses, tendo inclusivé tocado com o Quinteto do Hot Club de France. Uma compilação que dá uma ideia da sua actividade musical entre 1936 e 1944 - Boris Vian et le Jazz français. Mas Boris Vian ficou famoso mais por aquilo que escreveu, como "A Espuma dos Dias", "As Formigas", ou o poema "O Desertor", do que pela sua vertente jazzística. E também muito pela sua vida de boémia "intelectual" na Paris existencialista. Tudo a rever num documentário que se preze. Logo ao jantar.

quarta-feira, junho 17, 2009

Robin Holcomb


Her work has been called "remarkable" (CMJ), "stunning" (Option), "entrancing" (Billboard) and "sensitive, descriptive, adventuresome and full of soul" (Washington Post). "Hers is an unsettling, utterly original vision." (Entertainment Weekly) According to The New York Times: "Ms. Holcomb has done something remarkable here: she has created a new American regionalism, spun from many threads - country, rock, minimalism, Civil War songs, Baptist hymns, Appalachian folk tunes, even the polytonal music of Charles Ives. The music that results is as elegantly simple as a Shaker Quilt, and no less beautiful."(in http://www.robinholcomb.com/biography.html)

Pois...Tenho uma certa tendência para exagerar quando transmito entusiasmos, eu sei, porque quando gosto, gosto tanto que tenho necessidade de o partilhar com toda a gente e dizer: Olhem, temos aqui algo que merece ser mais divulgado. Cá está, ando há mais de um mês para o fazer e também para decidir se mando vir o cd ou se compro mp3. Um dos dois compro de certeza. Robin Holcomb é muito especial. A sua criação musical, a sua atitude, a sua diferença fizeram-me parar e reflectir sobre o que é a música, o que são as palavras que acrescentam a música e que com ela se fundem, e como uma voz pode ser tão única. "The Big Time" (Nonesuch-2002) vai ser a minha próxima aquisição. "Like I Care", a faixa 15 do cd The Nonesuch Collection Vol.2, é a grande culpada desta fixação. E, pelos vistos, lá longe, também a reconheceram...

segunda-feira, maio 25, 2009

Por alma de João Bénard da Costa (1935-2009)



Não me recordo se ele gostava deste filme, que só agora, ao fim destes anos todos, me decidir visionar - sem dúvida alguma, sei-o agora, um dos melhores filmes da história do cinema - Apocalypse Now Redux. Adiei sucessivamente o seu visionamento, pelo horror que sempre tenho aos filmes sobre guerra, ainda para mais, tratando-se de uma guerra sem sentido, como foi a do Vietname. Mas, finalmente, decidi-me. Fiquei rendida. É um filme belíssimo, com intérpretes do melhor (Martin Sheen, Marlon Brando, Marlon Brando, Marlon Brando e todos os outros – Robert Duvall, Dennis Hopper, Frederic Forrest, Laurence Fishburne, por exemplo), forjado, produzido, realizado por um dos magníficos de Hollywood – Francis Ford Coppola. O seu tema principal: a descida ao local onde a Luz e as Trevas de degladiam num braço de força de que não sabemos a origem nem o fim. Fabulosa banda sonora: os Doors, ou a famosa sequência da "Cavalgada das Valquírias" de Richard Wagner, por exemplo.
Nunca consegui ler o que João Bénard da Costa escreveu sem me sentir a mais inculta das pessoas ao cimo da terra. A sua cultura era imensa e a forma como ele articulava os seus conhecimentos e connosco os partilhava era admirável. Em sua homenagem, um excerto da minha tardia descoberta.

domingo, maio 10, 2009

Ani DiFranco Geo Sessions 2

Ani DiFranco Geo Sessions 1


Estava eu a olhar distraída para a minha zona pop e etc. da música arrumada quando me deparo com um cd de que já não me lembrava nada, só da capa e do nome da cantora/autora. Do conteúdo - zero. E pensei, bom, vou ouvi-lo, mas, cá para mim, isto vai passar para a zona dos que eventualmente servirão a crise, ou seja, feira da Ladra com ele, embora a capa até esteja um primor (nunca vendi nada na FL, mas a hipótese está sempre em aberto). Mas então não é que gostei tanto de re-ouvir o registo que vim logo saber da sua autora aqui na net e, graças a Deus, encontrei-a e para que não volte a acontecer esquecimento como aquele, vá de deixar aqui já a interessante gravação que fez para a National Geographic.

quinta-feira, maio 07, 2009

Lucky 7s' Pluto Junkyard ou um óptimo pretexto.


O pretexto é para falar da editora discográfica, a nossa lisboeta Clean Feed. A propósito de uma das suas mais recentes edições - o cd "Pluto Junkyard" do grupo de free jazz Lucky 7s. Sorte tive eu e todos os que tiverem a dita de ouvir este explêndido resultado de um grupo de sete músicos que juntaram as suas experiências e criatividade individuais numa confluência que se pode dizer de perfeita sintonia free e não só, mas também mesclas de cool, bop, west coast, minimal repetitiva, rock, new thing. Será que estou a exagerar? Quando me entusiasmo, é assim. Mas como é cada vez mais raro entusiasmar-me, ficando-me a impressão de que vão rareando cada vez mais os casos realmente estimulantes em matéria de jazz, ou porque demasiado repetitivos e retrógrados, ou porque demasiado barulhentos e falhos de coração (cerebrais...), tenho de assinalar já este, antes que me dê a preguicite. Investiguei um pouco sobre o grupo e fiquei a saber que nasceu a seguir à terrível calamidade de que New Orleans foi vítima, consequência do furacão "Katrina", sendo que alguns dos músicos são provenientes daquela cidade, e os restantes de Chicago. Os tombonistas Jeff Bishop e Jeff Albert são os principais mentores do projecto, a que se associaram Josh Berman, no cornetim, Keefe Jackson, no saxofone tenor, Jason Adasiewicz, excelente no vibrafone, Matthew Golombisky, contrabaixo e Quin Kirchner, na bateria. Quase todos contribuiram com um tema de sua autoria para este cd, e o resultado foi, volto a dizer, excepcionalmente bom.
Quanto à Clean Feed, é um orgulho nacional. Criada há meia dúzia de anos, e com loja aberta ao público na Rua do Alecrim, em Lisboa, sob o nome de Trem Azul, dedica-se a um nicho do mercado discográfico do Jazz muito específico - na zona do free/contemporâneo - descoberta e lançamento de novos valores, para além dos já consagrados que a escolhem pela qualidade cada vez mais internacionalmente reconhecida das suas edições. Foi eleita por alguns dos maiores especialistas norte-americanos como uma das mais interessantes editoras de jazz surgidas nos últimos anos, a nível mundial. Parabéns e continuem assim, por favor!

terça-feira, maio 05, 2009

Oumou Sangare - Seya

Há pessoas neste planeta que, felizmente, ganham volume planetário. Pessoas de tal grandeza e beleza que só de elas ter conhecimento já se me engrandece a vida. Oumou Sangare, que aqui tinha assinalado, é um desses raros exemplos. Maliniana de coração, raça e força, sublime na sua belíssima e inspiradora intervenção artística a decorar mensagens de intervenção social importantíssimas e urgentes. Aconselho a audição e leitura da informação que acompanha o seu mais recente cd, Seya (World Circuit production-WCD081).
Há cerca de três anos atrás, fui ouvi-la ao vivo num daqueles espectáculos ao ar livre, em Belém, a que só vou mesmo quando sou "fan" da criatura em palco, pouco tempo depois da partida definitiva do seu compatriota Ali Farke Toure (que me deixou muitas saudades), e a homenagem que esta senhora lhe prestou foi qualquer coisa de arrepiar.

E a propósito de "músicas do mundo"

O grupo búlgaro de vozes femininas Angelite anda em digressão pelo nosso país. Quem puder não perca, porque as famosas vozes búlgaras e o seu repertório musical são de uma beleza, por vezes, transcendente, como se pode aferir do vídeo que o You Tube nos dá a alegria de connosco partilhar. Na minha discografia já há muito as guardo como quem guarda uma jóia de valor. Aliás, para mim, não há pedras preciosas que valham tanto como certos momentos musicais.

sexta-feira, abril 17, 2009

Handel, George Frideric (1685-1759) - Hoje, Agrippina, no Teatro Nacional de S.Carlos

(Nero e Agrippina)
Estreia hoje, no Teatro Nacional de S.Carlos, o Dramma per musica in tre atti Agrippina.
Foi a segunda e última ópera que Handel compôs durante a sua estadia em Itália (1706-1710). Estreou-se no Teatro de San Giovanni Grisostomo, em Veneza, no Carnaval de 1709, data provável, 26 de Dezembro. Esta ópera constitui o primeiro grande triunfo, na carreira do compositor e foi executada 27 vezes sucessivas, sempre perante audiências entusiásticas.
O elenco foi, então, composto pela soprano Margherita Durastanti (Agrippina), o barítono Giuseppe Maria Boschi (Pallante), a sua mulher, a contralto Francesca Vanini-Boschi (Ottone), o castrato soprano Valeriano Pellegrini (Nero), Diamante Maria Scarabelli (Poppea), Antonio Francesco Carli, um baixo com um registo incrivelmente baixo (Claudius), o alto castrato Giuliano Albertini (Narcissus) e um baixo, ao que parece, padre, Nicola Pasini (Lesbus).
A parca produção operática de Handel, em Itália, deve-se ao facto de a maioria dos teatros públicos terem sido fechados por ordem do Papa. Enquanto trabalhou para dois patrões ricos,os Cardeais Pamphili e Ottoboni, compôs, para além de música sacra e dois oratórios, cerca de 80 cantatas seculares para execução privada. Havia, nesta altura, poucas diferenças, excepto na duração, entre cantata, oratório e ópera; as três dependendo da alternância entre o recitativo secco e a ária da capo*, árias de expressão emocional intensa e de forma mais ou menos dramática.
O autor do libretto foi o Cardeal Vincenzo Grimani, distinto diplomata, cuja família detinha o Teatro San Giovanni Grisostomo. O libreto, considerado dos melhores, baseia-se todo ele, à excepção do servo Lesbo, em personagens históricas. Trata-se de uma ópera que assume o espírito da Veneza do séc.XVII, na linha de Cavalli ou de Monteverdi, muito popular, na época, misturando situações cómicas com emoções sérias, aromatizadas de ironia. Trata-se, no fundo, de uma sátira à corrupção na vida da Corte. Tem sido sugerido que o Imperador Cláudio nada mais é do que uma caricatura subtil do Papa Clemente XI, de quem Grimani era opositor político.
Na maioria dos seus aspectos, a partitura, com as suas numerosas árias pequenas, segue a prática do Séc. XVII. Por exemplo, os dois pequenos grupos, um trio e um quarteto, no Primeiro Acto, em que as vozes nunca se ouvem em conjunto, também pertencem mais à tradição do que à inovação.
*Ária da capo=Forma em que a primeira parte é repetida. (Da capo=Do princípio)

quinta-feira, abril 09, 2009

Susan Sontag e Mies Van der Rohe

Tenho andado a vaguear em torno da obra e vida de Susan Sontag e deparei-me com este vídeo em que ela faz alguns comentários a uma das mais conhecidas obras do arquitecto alemão Mies Van der Rohe, The Seagram, em Nova Iorque. É um momento bem apanhado, em que ela diz algumas coisas engraçadas, cuja tradução presumo que não seja necessária. Bom, não é bem isto que queria dizer. É mais: não teria tanta graça.

"The Seagram Building gleamed like a switchblade in the autumn sun."


"The elevator swished up like a gigolo's hand on a silk stocking...."

No vídeo, o parceiro de diálogo é o arquitecto Philip Johnson, parceiro de M.V. der Rohe, na concepção deste edifício (interiores).

domingo, março 29, 2009

Só passei para dizer que:

Devido a problemas com comunicações cá por casa, net que não funciona, telefones que também não, técnicos que não resolvem os problemas, enfim, uma beleza, tenho andado mais intermitente do que o habitual. Ontem, por exemplo, era suposto fazer uma chamada de atenção para um programa cinco estrelas, de que só não usufruí por motivos bem comezinhos (surda de um ouvido, por causa da renite alérgica, tempo frio e ventoso...) mas que, para uma comodista como eu, desmobilizam o propósito: o concerto das três Marias no Centro Cultural de Cascais, por obra de João Moreira dos Santos, do JNPI, em homenagem a Luís Villas-Boas. Tive uma pena imensa de não ter comparecido. As três Marias (Anadon, João e Viana) prometiam corresponder às expectativas e, basta conferir aqui para se ver que deve ter sido bem agradável. Os dois vídeos YouTube sempre servem de lenitivo, mas sabem a pouco.

terça-feira, março 17, 2009

Yemanjazz - Uma boa descoberta


YEMANJAZZ_MininasdiCafé VCLIP from ivan goite on Vimeo.

Acabo de descobrir este grupo e corro a divulgá-lo, para já porque a sua música condiz com este Verão antecipado que nos invadiu o Inverno. É uma lufada de ar fresco em Portugal com exotismos de outros lugares. Lembra muita gente grande do jazz de fusão, Edberto Gismonti, por exemplo, mas também Coltrane, também por exemplo. Prazer em conhecê-los, Yemanjazz.

domingo, março 08, 2009

Uma prenda da nprmusic no Dia da Mulher

Para comemorar este dia, seis bons exemplos de mulheres no jazz. Nesta selecção, feita pela npr, podemos ouvir a pianista e compositora Mary Lou Williams,  a "rainha" do orgão Hammond B-3, Shirley Scott, a veneranda pianista, Marian McPartland, a pianista Geri Allen, num registo mais afro, Regina Carter, que tem, no tema aqui escolhido, a particularidade de o executar no violino que pertenceu a Paganini, um Guarneri del Gesu, tendo sido a primeira artista de jazz a quem foi permitido fazê-lo,  e Maria Schneider, a excelente compositora, orquestradora e maestrina, num tema que invoca tempos mais clássicos. 

sábado, março 07, 2009

Flores pelo 8 de Março


Antes que me passe o entusiasmo, fica já aqui escrito que li com sofreguidão a entrevista a Patti Smith, publicada esta sexta-feira no suplemento do jornal "Público", Ípsilon, a propósito da recente estreia do filme biográfico "Patti Smith: Dream of Life", já aqui referenciado. Fiquei a saber que gosta de Fernando Pessoa, que sempre sentiu fascínio por Lisboa, que, embora não beba, gosta de vinho do Porto, que também gosta de Wagner e de Waltraud Meier (cantora lírica alemã), que gosta de fado e que até tem em curso o projecto de um livro sobre Lisboa. Em resumo, temos muito em comum, o que acrescenta ainda mais ao quanto gosto dela. Uma mulher fantástica. O filme, que já tinha visto há uns meses, quando da sua primeira exibição em Lisboa, não sendo uma obra prima, consegue captar bastante do essencial para se perceber quem é Patti Smith, o que a motiva, o que a torna tão especial, a sua arte, o seu quotidiano, o seu mundo. E para assinalar o Dia da Mulher, deixo aqui umas flores do seu amigo Robert Mapplethorpe, um dos meu fotógrafos favoritos. Acho que ela também deve gostar.

segunda-feira, março 02, 2009

sábado, fevereiro 28, 2009

Hamlet segundo Prévert


L'Accent grave

Le Professeur

Élève Hamlet!

L'Élève Hamlet
(sursautant)
...Hein...Quoi...Pardon...Qu'est-ce qui se passe...Q'est-ce qu'il y a...Qu'est-ce que c'est?...

Le Professeur
(mécontent)
Vous ne pouvez pas répondre «présent» comme tout le monde? Pas possible, vous êtes encore dans les nuages.

L'Élève Hamlet

Être ou ne pas être dans les nuages!


Le Professeur

Suffit. Pas tant de manières. Et conjuguez-moi le verbe être, comme tout le monde, c'est tout ce que je vous demande.


L'Élève Hamlet

To be...


Le Professeur

En Français, s'il vous plaît, comme tout le monde.


L'Élève Hamlet

Bien, monsieur.
(Il conjugue:)
Je suis ou je ne suis pas.
Tu es ou tu n'est pas

Il est ou il n'est pas
Nous sommes ou nous ne sommes pas...

Le Professeur
(excessivement mécontent)
Mais c'est vous qui n'y êtes pas, mon pauvre ami!

L'Élève Hamlet

C'est exact, monsieur le professeur,

Je suis «où» je ne suis pas

Et, dans le fond, hein, à la réflexion,
Être «où» ne pas être
C'est peut-être aussi la question.

( Paroles, de Jacques Prévert)

domingo, fevereiro 15, 2009

Chama-se Once upon a Summertime


Foi gravado em Setembro de 1958, dias 12 e 13, em Nova Iorque. Norman Granz (Verve) convenceu-a. Acompanharam-na, Mundell Lowe, na guitarra, Ray Brown, no baixo, Ed Thigpen, bateria. Ela cantou e tocou piano. E não é que hoje me está a saber magníficamente bem ouvi-la?...Ontem mencionei ter só um cd, não disse qual. É este. Justiça me seja feita, que ainda há poucos meses atrás o ouvi de novo, para me testar. Mas ainda não estava, então, dentro do "espírito" da coisa. Foi preciso esta notícia fatal para me fazer reapreciar Dearie. E não sei se é de hoje ter festejado algo muito importante para mim ou se por achar que ontem não lhe prestei tributo suficiente, senti este impulso de a re-homenagear.

sábado, fevereiro 14, 2009

Blossom Dearie (1926-2009)

Soube há pouco que faleceu, no dia 7 deste mês, Blossom Dearie, cantora e pianista de jazz de quem pouco se falava por estas bandas, talvez por soar muito diferente de todas as outras cantoras de jazz. Tinha uma voz suave, de ternura infantil, pouco ou nada parecida com o que se entende ser uma voz de jazz. No entanto, houve, recentemente, alguém que me fez lembrar esta vocalista. A cantora sueca Lisa Eckdahl. Sendo que aqui há um a espécie de upgrade para um estádio mais adolescente, com dose adicional de sensualidade. Mas, voltando a Blossom, ou Marguerite Blossom Dearie, tive conhecimento da sua existência através de um fanático da senhora e, na altura, não a soube apreciar. Acho que ainda hoje o não sei. Tenho um cd, que raramente ouço, e mais nada. Mas quando soube do seu desaparecimento, tive a certeza de que ela merecia muito mais atenção do que a que teve. Pelo menos da minha parte. Apreciando ou não a sua voz e o seu estilo, tenho a certeza do seu enorme mérito. E como hoje é o dia dos namorados(as), parece-me que este vídeo chega bem para o assinalar e, ao mesmo tempo, recordar essa voz, cuja doçura sempre me transcendeu (tal, aliás, como a beleza de Audrey Hepburn).
Vídeo By Fly: http://myflyaway.blogspot.com "Try Your Wings" Blossom Dearie "Breakfast At Tiffany's" Movie (Not official video/Video não oficial)

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Billie Holiday (1915-1959)


Já aqui coloquei um vídeo em tempos sobre Billie Holiday, ou Eleanora Fagan, mas sem lhe adicionar grandes palavras, porque a emoção de a ouvir deixa-me, quase sempre, meio "apanhada do clima". Como disse Boris Vian: "On aime ou n'aime pas Billie Holiday, mais quand on l'aime, c'est a l'a façon d'un poison". Mas, depois de ler sobre ela na revista francesa Jazzman (nº.153) do mês passado, de onde extraí esta citação, vou mesmo dedicar-lhe mais um apontamento. Destas leituras recentes fiquei a saber umas coisas mais que outras leituras, como por exemplo, a da sua autobiografia Lady Sings the Blues, me não tinham transmitido. Fiquei a saber que os seus pais nunca se casaram, ao contrário do que ela afirmava, e que, quando ela nasceu, a sua mãe, Sadie Fagan, não tinha 13 anos nem o seu pai, Clarence Holiday, 16, mas sim 19 anos, ela e 17, ele. Não é que isso tenha muita importância, apenas que andei a aldrabar algumas pessoas sem o saber. Inclusivé, estava convencida de que existia uma grande cumplicidade entre mãe e filha, o que também parece não ser totalmente verdade. Ao que parece, muito da infelicidade de Billie foi consequência da frieza e desapego com que a mãe a tratou enquanto criança. Vindo depois a mostrar-se possessiva, demasiado presente e negligente, tornou-se, apesar de tudo, na única pessoa que verdadeiramente contava na sua vida (sic Jazzman). O tema que compôs inspirado em sua mãe, God Bless the Child , reflecte, afinal, essa noção de abandono que a acompanhou até ao fim da vida.

Não vou traduzir aqui o artigo que a dita revista francesa lhe dedicou, mas vale a pena aceder à sua leitura. Está muito bem elaborado e acrescenta algumas coisas que interessam a quem gosta de ir um pouco além na percepção do que foi esta extraordinária cantora. Porque aquilo de que gostamos acaba por ser o produto final de uma vida de abusos, sofrimento, vício, onde a felicidade parecia só comparecer em palco, quando cantava para o seu público. Não sabia ler música, mas tinha um sentido rítmico e uma memória formidáveis. Faz em Julho deste ano 50 anos que morreu. Tinha apenas 44 anos e um passado de prostituição, droga, prisão e relações falhadas.

Esta homenagem da Jazzman está excelente e, repito, vale a pena lê-la para perceber como uma voz pode reflectir, não apenas um dom e técnica, mas toda uma vida que desceu aos mais profundos abismos para alcançar a eternidade.

sábado, janeiro 17, 2009

Ouvir o Village Vanguard


Estou feliz. O meu clube de jazz favorito* em Nova Iorque, The Village Vanguard, está a oferecer a possibilidade de poder-se ouvir (e até, comentar) os seus concertos em directo, através do NPR (National Public Radio), ou as gravações, caso não nos seja possível o directo. E não se paga nada (por enquanto). Nem queria acreditar. Bom, (desabafo): Se eu fôr aos Estados Unidos da América ouvir fado, czardas, ou sevilhanas, estarei sempre no sítio errado, ou apenas o meu corpo estará presente, porque a música irá transportar-me para os sítios onde a alma destas músicas se encontra. Com o jazz é o mesmo. O facto de podermos estar "presentes" no local onde tudo se conjuga - alma, raíz, acontecimento - é uma coisa perfeita, uma realização. Quero dizer: Gostava mais de lá ter estado, mas já que não me foi possível...

*Favorito porque: A nata do jazz gravou os seus concertos neste lugar; é o local de jazz de que mais gostei, em N.I.; continua com uma excelente programação.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Gene Krupa (1909-1973)

Faz amanhã 100 anos que nasceu Gene Krupa, considerado por alguns "o maior baterista de todos os tempos". Um portento, como podemos recordar neste vídeo.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Domingo de manhã, na Culturgest

Chamo aqui a vossa atenção para um programa que me parece engraçado para a manhã de domingo, dia 11, às 11h, no Grande Auditório da Culturgest, cuja introdução aqui copio directamente do respectivo site.
Visando criar uma maior aproximação com a música de hoje, a OrchestrUtopica participa este ano, mais uma vez, na série de concertos comentados da Culturgest, com um programa especialmente pensado para um público alargado e de todas as idades. Este concerto propõe-se corresponder à curiosidade e ao interesse crescentes que a música contemporânea desperta, através de uma selecção de compositores e obras que serão comentadas e contextualizadas pela voz autorizada de Paolo Pinamonti. A riqueza e a diversidade da nova música, num programa que apresenta uma panorâmica sobre diferentes linguagens musicais do século XX, inicia-se com Frates, uma obra de 1977 de Arvo Pärt, compositor lituano* que propõe uma “nova simplicidade” como relação contemporânea com a música; passando por O King, de Luciano Berio, escrita em homenagem a Martin Luther King, celebrando a liberdade e a tolerância, e por Aventures, do compositor György Ligeti, uma “encenação musical” para vozes, numa linguagem imaginária. O programa do concerto termina com Invenção sobre paisagem, uma obra que sugere a imaginação e a invenção de um espaço interior de escuta, da autoria de Luís Tinoco, um dos mais activos e reconhecidos compositores portugueses. Música com comentários, num concerto aberto ao mundo da música de hoje. Uma oportunidade única para conhecer a música por dentro e para penetrar no mundo da criatividade musical dos nossos dias.
*Arvo Part nasceu na Estónia e não na Lituânia. Mas como a autoria do texto não é da cigarrajazz, esta achou por bem não o emendar.

Soprano Alexandra Moura
Mezzo-soprano Cátia Moreso
Barítono João Merino
Maestro Cesário Costa

PROGRAMA
Arvo Pärt Frates
Luciano Berio O King
György Ligeti Aventures
Luís Tinoco Invenção sobre paisagem
Custo do bilhete: €2,5

segunda-feira, janeiro 05, 2009

José Duarte ou como falar jazz

(Foto de Luisa Ferreira)
Desde que iniciei este blogue, há uma ideia que não me sai da cabeça: Prestar aqui uma homenagem a José Duarte. E a sua última recensão sobre o ano 2008, sob o pseudónimo de Riff deu-me, finalmente, coragem para o fazer. José Duarte, como todo o português com um mínimo de informação sabe, foi e é um dos principais divulgadores do Jazz em terras de Portugal. Digamos que sempre o fez, não só numa perspectiva de arte musical, como da sua utilização em contra-corrente política. Acima de tudo, José Duarte tem muito swing e a sua expressão verbal, oral e escrita, tem o improviso, a rebeldia e a criatividade deste género musical. O seu ar simpático, maroto, descontraído, inteligente e carismático e a sua voz única e inesquecível também contribuíram para a minha apreciação deste senhor desde os meus tempos de adolescente. Mas só há cerca de 6 anos atrás tive a dita de com ele trocar algumas palavras no Hot Clube de Portugal, coisa de que ele, certamente já não se lembra. Na minha biblioteca consta muito do que ele escreveu: Jazzé e outras músicas (Ed. Cotovia, 1994), João na terra do Jaze (Ed.A Regra do Jogo, 1981), O Papel do Jazz, 4 vols. (Ed. Cotovia, 1997-1998), colecção de cds. com livro Let's jazz em público (com a universidade de Aveiro e o jornal "Público", 2005) e cinco minutos de jazz'''''40 anos (Antena 1/BPI, 2006). Do que ele disse, também consegui reter bastante, em cassetes VHS, no programa de tv que manteve durante algum tempo, Outras Músicas, onde, para além de jazz e outras músicas, se falava também de dança, por exemplo, sendo os seus convidados, regra geral, de grande interesse artístico e intelectual. Não perdia um. E os seus programas na rádio? Os famosos A Menina Dança? e o Cinco Minutos de Jazz são, desde há muito, consideradas peças de antologia radiofónica nacional. Dele sei também que terá ajudado a fundar o Centro de Estudos de Jazz na Universidade de Aveiro, ao qual (segundo consta) doou a sua vasta colecção de discos e cds, e onde leccionou sobre o tema. Tem um vasto historial como conferencista, onde partilha a sua enorme cultura musical para o que certamente contribuío o facto de ter sido dos que mais contacto manteve com a cena jazz internacional, tendo, ao longo da sua vida, entrevistado e comungado ideais com inúmeros músicos da mais alta estirpe, como se pode ler nos seus escritos. Fez também parte do júri de críticos do concurso anual da revista norte-americana Downbeat. Escreve regularmente no site Jazz Portugal U.A. pt. E parece-me que já chega para se ter uma ideia do que José Duarte representa para mim e para Portugal. Uma pessoa de excepção. Grata pela sua existência.

(Para mais dados biográficos, favor clicar em cima do nome, no primeiro parágrafo deste post)

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Charles Mingus - Goodbye Pork Pie Hat


Esta interpretação do tema que referi no meu post de ontem é superlativa. Trata-se de gravação ao vivo no Festival de Jazz de Montreux de 1975, da actuação de Charles Mingus (contrabaixo),Don Pullen (piano), Gerry Mulligan (sax barítono), George Adams (sax), Benny Bailey (Trompete) e Danny Richmond (bateria).

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Como começar bem o ano



Prosseguindo a tendência actual de aconselhar o próximo sobre o que deve ou não fazer com e da sua vida, vou dizer o que fiz com o meu primeiro dia do ano que, e isso é certo, acho ter sido bom para mim e para o próximo. Falo como quem não saiu para festejar em público e se manteve na sua casa, em pose de home sweet home. Comer umas coisas boas que sobraram do reveillon, beber um bom vinho tinto a acompanhar o almoço e um ou dois whiskies antes do jantar, ao som do último cd da Maria João e do Mário Laginha, Chocolate, parece-me bem para começar. Do meu dia 1 de 2009 tenho a destacar o filme que vi na tv, Don't come knocking (2005) de Wim Wenders, com Sam Shepard, Jessica Lange, Tim Roth, Gabriel Mann, Sarah Polley, Fairuza Balk, Eva Marie-Saint. Imagens que lembram Edward Hopper, sons de Marc Ribot, entre outros, co-argumento Sam Shepard. Fui apanhada de surpresa, tipo margarida influenciada pelos raios gama, e por lá fiquei. Como não gosto de dias cinzentos tive de arranjar maneira de os colorir. Quanto ao Chocolate, que já anda por aqui há algum tempo, desde que um amigo me falou dele, tenho a dizer que gosto muito, mesmo muito da segunda faixa, Goodbye Pork Pie Hat*, o adeus de Charlie Mingus a Lester Young, versão Joni Mitchell, transfigurada em versão Maria João. Parabéns, Maria João e Mário Laginha por este trabalho (Falo da obra integral e desta faixa em particular).
*words by Joni Mitchell
*music by Charles Mingus
When Charlie speaks of Lester
You know someone great has gone
The sweetest swinging music man
Had a Porkie Pig hat on
A bright star
In a dark age
When the bandstands had a thousand ways
Of refusing a black man admission
Black musician
In those days they put him in an
Underdog position
Cellars and chittlins'
When Lester took him a wife
Arm and arm went black and white
And some saw red
And drove them from their hotel bed
Love is never easy
It's short of the hope we have for happiness
Bright and sweet
Love is never easy street!
Now we are black and white
Embracing out in the lunatic
New York night
It's very unlikely we'll be driven out of town
Or be hung in a tree
That's unlikely!
Tonight these crowds
Are happy and loud
Children are up dancing in the streets
In the sticky middle of the night
Summer serenade
Of taxi horns and fun arcades
Where right or wrong
Under neon
Every feeling goes on!
For you and me
The sidewalk is a history book
And a circus
Dangerous clowns
Balancing dreadful and wonderful perceptions
They have been handed
Day by day
Generations on down
We came up from the subway
On the music midnight makes
To Charlie's bass and Lester's saxophone
In taxi horns and brakes
Now Charlie's down in Mexico
With the healers
So the sidewalk leads us with music
To two little dancers
Dancing outside a black bar
There's a sign up on the awning
It says "Pork Pie Hat Bar"
And there's black babies dancing...
Tonight!

Feliz Ano Novo!

Glitter Graphics

Happy New Year Glitter Pictures