sábado, abril 26, 2008

A cigarra light tem andado a ouvir:


Marilyn Mazur e Jan Garbarek - Elixir
Gosto muito desta obra, a última que adquiri para a minha colecção de cds. E aconselho. Tem sons magníficos que inter-agem connosco como muitos anxiolíticos gostariam de conseguir - é uma paz, uma serenidade, um conforto geral.
Mas para não se ficar demasiado acomodado convém, de vez em quando, alternar com:
Erykah Badu - New Amerikah

Uma cantora que ficou sempre naquele núcleo de coisas que entram em ligação indirecta com a terra, com as coisas da vida, com a nossa carne.
DeeDee Bridgewater - Malian Project - Red Earth

Embora não sendo grande apreciadora de Dee Dee, sou fan de música do Mali e acho este Malian project um obra de mérito. Tenho o cd+dvd e só de pois de ver o dvd soube apreciar,confesso, o quanto Dee Dee se esforçou e se envolveu na feitura deste registo. Acho o dvd estupendo e a música que resultou deste percurso de pesquisa e reencontro, um excelente resultado. Dee Dee, neste vídeo, fica na sombra, do outro lado do vidro, e dá lugar a Oumou Sangare, a diva maliniana que com ela faz duo nesta canção.

sexta-feira, abril 18, 2008

DIAS DA MÚSICA EM BELÉM (LISBOA)

Começa a hoje, às 20 horas, no Centro Cultural de Belém, CCB, em Lisboa, a ex-festa da música, hoje dias da música, menos gloriosos mas igualmente a não perder, nem que seja para se assistir a um só espectáculo. Este ano, não se trata só de música clássica, mas também de Jazz, a menina dos nossos olhos. E com o nosso mais fino produto nacional: Bernardo Sassetti (piano), Carlos Barreto (contrabaixo), Alexandre Frazão (bateria), Mário Laginha (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo), António Pinho Vargas (piano), Zé Nogueira (saxofone) e Carlos Zíngaro (violino), distribuídos por grupos e espectáculos distintos . É de ir e apoiar. Temos também a Olga Prats (piano) em Astor Piazzolla (Tango) e isto para não falar do lado da clássica, também com bons nomes nacionais.
Quanto aos nomes estrangeiros, destaco Ron Horton (trompete), Julien Arguelles (Saxofone), Scott Fields e Elliot Sharp (guitarra acústica).
Ao todo 6 espectáculos de Jazz, num todo de 69. É pouco, mas já é um começo. Porque fico satisfeita? Porque, pelo preço de 6€, é dar oportunidade a todos os que gostam de música de a ouvir em condições acústicas regra geral boas, e em instalações adequadas. É de ir e apoiar, para que isto possa continuar. A Música é um bem essencial e deve chegar a todos em "excelentes" condições. E para tal, nada como assistir à sua execução ao vivo num espaço que a preserve de interferências ou objectos intermediários de resultados catastróficos. Sábado ou Domingo lá estarei, se as chuvas não forem dilúvio.

terça-feira, abril 08, 2008

Ooleya Mint Amartichitt




Ooleya Mint Amartichitt, cantora griot nascida na tribo de antepassados nómadas Ulâd Mubarâk, na Mauritânia, África Ocidental, foi a escolhida para me acompanhar neste dia chuvoso e cinzento, em sintonia com a fotografia que a National Geographic teve a amabilidade de me ceder e que forra o tampodaminhasecretáriavirtual (desktop). Ambos se conjugam para iluminar os meus pensamentos, fazendo-me sonhar com desertos onde, provavelmente, nunca porei os pés. O seu CD "Praise songs", o único que lhe conheço, mostra-me a beleza e a força desta voz que perpetua sons ancestrais desta zona de África.



Este vídeo faz jus à cantora. Por isso, aqui fica como testemunho das coisas belas do planeta Terra.

quinta-feira, abril 03, 2008

&etc

Um destes serões fui surpreendida por um documentário no Canal 2 da RTP sobre a editora &etc e seu fundador, seu coadjuvador e alguns escritores que com ela têm editado, convidados a sobre ela dizerem o que lhes vai no coração. Não vi tudo desde o princípio mas acho que vi o essencial. Não há ninguém com vícios de ler em português que não conheça, pelo menos por fora, aqueles livrinhos quadrados com umas capas que são do melhor grafismo que se pode por aí encontrar. O papel utilizado é encorpado, tipo entre o reciclado e o vergé, muito apelativo para quem também gosta do livro-coisa-física. O único senão era, antigamente, o preço. Isto do ponto de vista de uma estudante sem cheta no bolso, há trinta anos atrás. Passada a época da penúria, lá adquiri alguns volumes que muito prezo e que fui a correr rever, quando do documentário.

Ao que parece a &etc, criada em 1973, por Víctor Silva Tavares, nunca faz reedições dos seus livros («por uma questão de princípio»), não tem fins lucrativos, edita autores desconhecidos e as suas tiragens são muito pequenas. Claro que alguns destes autores são hoje bem conhecidos e reconhecidos: Alberto Pimenta, Adília Lopes, o falecido João César Monteiro ou Eduarda Dionísio, por exemplo.

A Sede da editora fica numa sub-cave da Rua da Emenda, em Lisboa, o subterrâneo, como lhe chama V. S. Tavares (e o nome da empresa é: Edições culturais do subterrâneo), e tem uma porta magnífica, como se pôde ver no documentário. A impressão é, regra geral, feita, tanto quanto percebi, numa antiga tipografia com entrada pela Rua da Alegria, o que também não deixa de ser fascinante, pela sua localização carismática, vizinha do jazz, da revista e do luxuriante jardim botânico.
O jornal "O Público" publicou, há cerca de um ano atrás, um artigo muito interessante sobre Victor Silva Tavares, que poderá ser lido aqui e que mostra como só uma pessoa como ele poderia levar por diante este projecto contra-corrente e marginal, feito de ideais e sonhos, quimeras e outras coisas que tais, tudo menos dinheiro. Claro que teve mecenato, mas isso é o que é devido ao artista pela ordem justa das coisas.
Não consegui ligações cibernéticas com o documentário (que adorava ter para rever e compro se por aí aparecer), mas deixo aqui o grande final do programa "Câmara Clara" de Paula Moura Pinheiro, onde é possível ver, para além do artista editor, um dos seus mais queridos editados, Alberto Pimenta, em momentos de grandiloquência palativa.