domingo, janeiro 27, 2008

Mose Allison

Mose John Allison Jr. Nasceu em Tippo, Mississippi, E.U.A., em 1927. Influenciado e encorajado pelo seu pai, que tocava piano, stride, Mose, ainda muito jovem, já compunha peças estilo boogie woogie ao piano. Nascido e criado em ambiente rural, ligado à cultura do algodão, Mose assimila os blues rurais, que irão estar sempre, ao longo da sua vida, na base das suas composições. Aos cinco anos de idade já tocava algumas coisas "de ouvido", e as suas principais fontes de inspiração eram Louis Armstrong, Fats Waller, Duke Ellington, Louis Jordan e Nat Cole (King Cole Trio).
Interrompe os seus estudos universitários para ir à tropa, em 1946, tendo tocado na banda das forças armadas e em pequenos grupos que actuavam em clubes de oficiais do exército. Regressa ao velho Missisippi, onde toca piano e trompete e faz arranjos para o grupo de baile, que depressa deixa para formar o seu próprio grupo. Na altura, o seu estilo revela-se muito próximo de Nat Cole, Louis Jordan e Erroll Garner. Depois de um ano em digressão, casa-se e regressa à Universidade, onde, em 1952, finaliza as licenciaturas em Inglês e Filosofia.
Trabalhou em diversos clubes nocturnos, misturando os blues da sua infância com as influências pianísticas modernas de John Lewis, T.Monk e Al Haig, e vocais dos cantores de blues Percy Mayfield e Charles Brown.
Em 1956, emigra para Nova Iorque, onde a cena jazz estava em foco, tocando com diversos grupos, e, em 1957 grava o seu primeiro disco para a Prestige Records, Back Country Suite,

uma colecção de peças evocativas do Delta do Mississipi, unânimemente aclamado pela crítica. Gravou e tocou com outros grandes músicos de jazz, como Stan Getz, Al Cohn, Zoot Sims e Gerry Mulligan e com o seu próprio Mose Allison Trio.
As suas músicas são uma mistura de jazz com blues rústicos. Enquanto pianista, tanto foi um admirador de mestres como Bud Powell e Lenny Tristano, como de compositores como Bartok, Ives, Hindemith e Ruggles. É na fusão destes diversos elementos que se gera a sua música até aos dias de hoje.
Nos anos 60, em Inglaterra, muito apreciado principalmente por músicos da área rock, foi considerado uma referência para muitos grupos que então surgiram, "The Who", "The Yardbirds", John Mayall, por exemplo. E as suas músicas foram e são interpretadas por nomes famosos como Van Morrison, Jack Bruce ou Elvis Costello, entre muitos outros.
Ao longo da sua já longa carreira, Mose tem vários albuns gravados, compôs recentemente a banda sonora do filme "The Score", com Robert DeNiro e Marlon Brando, foi nomeado para um Grammy com o álbum "Mose Chronicles, Live in London, Vol. I" (Blue Note Records), e afirma que continua em busca da perfeição, o que, para os seus fans, há muito foi conseguido.
Por curiosidade, uma filha sua, Amy Allison, também se dedica à música.
Porque falo de Mose Allison? Porque fiquei "presa" do seu álbum de estreia, cuja capa acima reproduzo e onde posso sempre voltar que nunca me desaponta. A minha intenção de colocar aqui as faixas 1 e 4 do dito ficaram goradas, por conta de direitos de autor. O que eu acho é que são "mal agradecidos", porque isto é/seria publicidade de borla. Não preciso de me alongar sobre este assunto, mas há coisas que não fazem muito sentido, nesta luta pela defesa dos citados direitos.

3 comentários:

Paulo disse...

Não conhecia. Ainda não mo tinhas apresentado. Fui ouvir também The Seventh Son.

cigarrajazz disse...

Acho a música dele muito agradável. Sendo mais da área dos blues algo folk, a toada remete-nos para paisagens e mundos rurais que nos transportam para as pradarias de sítios onde nunca pusemos os pés, se é que me faço entender...E são eles de lá e o alentejo de cá (digo eu, claro).
Bjs.

Paulo disse...

Pois é. Confesso... Mas entendo essa analogia com o teu Alentejo.