quinta-feira, julho 31, 2008

Jazz em Agosto


(Re)Começa já amanhã um dos mais refrescantes acontecimentos musicais deste Verão: O Jazz em Agosto, na Fundação Gulbenkian de Lisboa. Desta vez aplicado em dar a conhecer o que se faz pelo Japão, e o que o Japão faz com a Europa em matéria de produção jazz, para além de visitas já tradicionais por estes sítios, como John Zorn e Fred Frith (não sou grande fã, confesso) ou Sylvie Courvoisier (gosto muito). A Rui Neves se deve a escolha e a manutenção deste acontecimento anual que agora celebra o seu 25º. aniversário, mérito incontestável também pela ousadia das propostas apresentadas nestes últimos anos.

segunda-feira, julho 07, 2008

Oum Kalsoum

A cantora de quem Omar Sharif, seu conterrâneo, um dia disse: «Sem Oum Kalsoum, uma viagem pelo Oriente perderia a sua graça». (tradução livre...«en Orient, une journée sans Oum Kalsoum n’aurait plus de couleur ».)

Ausências prolongadas dão nisto: Estados mentais diversos. Mas o Jazz está sempre presente. Ainda agora descobri uma rádio com algum interesse: ejazzradio e não vale a pena referir a pujança de acontecimentos relacionados com o tema por esse país fora, porque Julho e Agosto estão com oferta de se lhe tirar o chapéu. E é bom que assim seja, embora o Jazz tenha mais sabor em ambiente íntimo, de clube (pode ser o Hot de Portugal ou o Village Vanguard de Nova Iorque), mas isso são quimeras, quando se pretende a sua fruição democrática e arejada (que também subscrevo, mas noutra onda).
E há muito assunto interessante no ar. Mas isso vai ser, talvez, depois de eu jantar. Um destes dias...

segunda-feira, junho 16, 2008

Esbjorn Svensson (1964-2008)


Estou em estado de choque! Um dos músicos mais interessantes do Jazz europeu actual morreu no sábado passado. Acabo de ler a notícia no blogue de João Moreira dos Santos: Jazz no país do improviso e estou triste, muito triste. Tinha 44 anos e deixa-nos uma obra das mais bonitas, estimulantes e inspiradoras de tudo o que se tem feito nos últimos anos.

O pianista sueco Esbjorn Svensson, cuja fusão de lirismo melódico com sonoridades inspiradas no rock encontraram terreno fértil no jazz moderno, morreu neste fim de semana num acidente ocorrido durante um mergulho nas proximidades de Estocolmo. O músico tinha 44 anos e deixa esposa e dois filhos.Svensson e sua banda, o Esbjorn Svensson Trio, também conhecido como EST, foram mundialmente aclamados e premiados pelo álbum "Strange Place for Snow", de 2002, nove anos depois do lançamento de seu primeiro disco, ganhando inclusive o Guinness Jazz no European Awards. O grupo também recebeu o prémio de melhor artista internacional no BBC Jazz Awards de 2003. Dois anos mais tarde, o trio tornou-se a primeira banda europeia de jazz a sair na capa da revista americana Downbeat, especializada no estilo musical.O lançamento do 12º álbum do EST, "Leukocyte", está marcado para setembro. Svensson morreu no sábado em num acidente ocorrido durante um mergulho perto de uma pequena ilha nos arredores de Estocolmo, a capital da Suécia, disse Burkhard Hopper, empresário da banda. A polícia realizará uma investigação de rotina do aparente acidente, prosseguiu ele. (sic "A TARDE online")

sábado, maio 31, 2008

Amy Winehouse no Rock in Rio

Ontem decidi ver, refastelada no meu sofá, o concerto da famosa "diva" pop Amy Winehouse, em directo, do Rock in Rio pela Sic Radical. Tive curiosidade. Havia dúvidas se ela viria. Depois de muito suspense e quase desespero dos 90.000 fans presentes ao vivo, de muito anúncio por parte da locutora de serviço: «ela já saiu do camarim e dirige-se para o palco», ou, cinco minutos depois, «ela voltou a fechar-se no camarim, exigindo que desimpedissem por completo o corredor de acesso ao palco», a que se seguiu um enorme período sem notícias, voltando a criar-se novo suspense, desta vez mais esmorecido que os anteriores. Isto durante aproximadamente 35 minutos. Quando, arrancada aos seus torpores ou lá o que era, ela decide aparecer, não dava para acreditar - foi entrando no palco, cambaleante, de copo na mão, e, quando conseguiu ouvir-se-lhe algum som, foi um murmúrio rouco, informe, um balbuciar incompreensível, um desatino a tentar segurar no microfone, até que um dos membros da banda que a acompanhava lho tirou da mão e o colocou no respectivo suporte. Aí começou o martírio. Quase sem voz, entradas atrasadas, desafinação, tentou tocar uma guitarra que alguém lhe retirou, com óbvios receios, continuou a bebericar sempre que havia uma pausa, comeu uma tablete de qualquer coisa, enquanto "cantava", sempre a cambalear, caiu, levantou-se e disse: «se isto tivesse acontecido a Lenny Kravitz, ele teria ficado envergonhado, mas eu não tenho vergonha». Enfim, isto é apenas uma pálida descrição do que se passou neste concerto. E no entanto, não é que ela conseguiu, ainda assim, dar um espectáculo magnetizante, em termos musicais ? Quase afónica e embriagada ou drogada (ou ambas as coisas), Amy teve um suporte musical excelente, instrumental e vocal (a banda e o coro), que a foi literalmente amparando, conseguindo que ela cantasse, mesmo com as limitações descritas. Um espectáculo inacreditável. Acabou por pedir desculpa ao público e dizer que devia ter cancelado o concerto. Mas o público desculpou-a. Pois se até teve dúvidas que ela aparecesse...E ele queria muito vê-la. 90.000 pessoas em silêncio, suspensas do que se estava a passar, de tal modo que ela lhes pediu, por mais de uma vez, «make some noise», e o público correspondeu, sempre positivamente. Não há dúvida que ela tem qualquer coisa - a sua imagem, a voz, o estilo, tudo a lembrar música anos 60/70. Qualquer coisa de Janis Joplis, de Dusty Springfield, de Billie Holiday. Sim, se abstrairmos da triste realidade, ela poderia e deveria ter uma carreira brilhante. Penso que, apesar de tudo e por causa de, ela já ficou registada em lugar destacado na história da pop.

quinta-feira, maio 22, 2008

Só para que conste


Está a decorrer, desde o dia 17 de Abril até 15 de Setembro, no MOMA (Museum of Modern Art), em Nova Iorque, uma exibição de filmes que têm o Jazz como banda sonora (Jazz Score). Consultar aqui.
Fica aqui um piscar de olhos à nossa Cinemateca...E que tal um ciclo na RTP2, em horário decente, isto é, antes da meia-noite? ;)

terça-feira, maio 20, 2008

Erika Calesini ou as bicicletas


Erika Calesini (Cattolica, 1974), artista plástica italiana presente no Salão do Móvel, em Milão, com o que pode ser descrito como escultura sobre tela. Enormes telas com bicicletas colocadas entre sofás e camas. No seu site podemos apreciar as suas diversas variações sobre o tema, muito interessantes e apelativas, também pelo equilíbrio das cores utilizadas ou pela função inesperada, como é o caso de bicicleta transformada em candeeiro, também presente na referida exposição. Pode-se dizer que se trata de uma alegoria à bicicleta, da sua elevação ao podium das artes, consagração do objecto já desprovido da sua capacidade, mas não do seu carácter inspirador de uma vida calma, ecológica, e saudável. Adoro bicicletas, por tudo o que representam e ainda pelo seu lado poético e até cinematográfico - quem não se lembra de Tati, ou, mais recentemente, de Les Triplettes de Belleville, por exemplo? Tenho de comprar uma, um dia destes. Já tenho saudades.
Tati "Jour de Fête" (1949)
Les Triplettes

segunda-feira, maio 05, 2008

Meredith's impermanence


E por estes dias tenho andado a ouvir o último de Meredith Monk - Impermanence (ECM). Não me foi possível, com grande pena minha, assistir ao seu recente concerto no CCB, mas tenho-me deliciado com o CD. Uma obra prima. Acho que ela está cada vez melhor.

sábado, maio 03, 2008

Patti Smith's dream of life


Sexta-Feira, 2 de Maio, Teatro Maria Matos. 21h30m - lotação esgotada, para o documentário "de longa metragem" de Steven Sebring já aqui referido a propósito do Sundance Film Festival. Patti Smith de alma exposta. Portas abertas para a sua rotina, arte-vida-arte. Bom documentário, que nos deixa conhecer melhor esta rocker-diseuse que queria ser cantora de ópera, ou, simplesmente, a mulher apaixonada de Fred "Sonic" Smith, a mãe de seus filhos, que a adoram e que são, já, seus parceiros de palco. Um retrato que confirma todas as razões para se considerar esta mulher uma criatura muito especial, como já referi anteriormente neste blogue, para quem todos os elogios estarão sempre aquém do que ela merece. Gostei do documentário. Sebring soube captar o essencial.

sábado, abril 26, 2008

A cigarra light tem andado a ouvir:


Marilyn Mazur e Jan Garbarek - Elixir
Gosto muito desta obra, a última que adquiri para a minha colecção de cds. E aconselho. Tem sons magníficos que inter-agem connosco como muitos anxiolíticos gostariam de conseguir - é uma paz, uma serenidade, um conforto geral.
Mas para não se ficar demasiado acomodado convém, de vez em quando, alternar com:
Erykah Badu - New Amerikah

Uma cantora que ficou sempre naquele núcleo de coisas que entram em ligação indirecta com a terra, com as coisas da vida, com a nossa carne.
DeeDee Bridgewater - Malian Project - Red Earth

Embora não sendo grande apreciadora de Dee Dee, sou fan de música do Mali e acho este Malian project um obra de mérito. Tenho o cd+dvd e só de pois de ver o dvd soube apreciar,confesso, o quanto Dee Dee se esforçou e se envolveu na feitura deste registo. Acho o dvd estupendo e a música que resultou deste percurso de pesquisa e reencontro, um excelente resultado. Dee Dee, neste vídeo, fica na sombra, do outro lado do vidro, e dá lugar a Oumou Sangare, a diva maliniana que com ela faz duo nesta canção.

sexta-feira, abril 18, 2008

DIAS DA MÚSICA EM BELÉM (LISBOA)

Começa a hoje, às 20 horas, no Centro Cultural de Belém, CCB, em Lisboa, a ex-festa da música, hoje dias da música, menos gloriosos mas igualmente a não perder, nem que seja para se assistir a um só espectáculo. Este ano, não se trata só de música clássica, mas também de Jazz, a menina dos nossos olhos. E com o nosso mais fino produto nacional: Bernardo Sassetti (piano), Carlos Barreto (contrabaixo), Alexandre Frazão (bateria), Mário Laginha (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo), António Pinho Vargas (piano), Zé Nogueira (saxofone) e Carlos Zíngaro (violino), distribuídos por grupos e espectáculos distintos . É de ir e apoiar. Temos também a Olga Prats (piano) em Astor Piazzolla (Tango) e isto para não falar do lado da clássica, também com bons nomes nacionais.
Quanto aos nomes estrangeiros, destaco Ron Horton (trompete), Julien Arguelles (Saxofone), Scott Fields e Elliot Sharp (guitarra acústica).
Ao todo 6 espectáculos de Jazz, num todo de 69. É pouco, mas já é um começo. Porque fico satisfeita? Porque, pelo preço de 6€, é dar oportunidade a todos os que gostam de música de a ouvir em condições acústicas regra geral boas, e em instalações adequadas. É de ir e apoiar, para que isto possa continuar. A Música é um bem essencial e deve chegar a todos em "excelentes" condições. E para tal, nada como assistir à sua execução ao vivo num espaço que a preserve de interferências ou objectos intermediários de resultados catastróficos. Sábado ou Domingo lá estarei, se as chuvas não forem dilúvio.