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sábado, fevereiro 28, 2009

Hamlet segundo Prévert


L'Accent grave

Le Professeur

Élève Hamlet!

L'Élève Hamlet
(sursautant)
...Hein...Quoi...Pardon...Qu'est-ce qui se passe...Q'est-ce qu'il y a...Qu'est-ce que c'est?...

Le Professeur
(mécontent)
Vous ne pouvez pas répondre «présent» comme tout le monde? Pas possible, vous êtes encore dans les nuages.

L'Élève Hamlet

Être ou ne pas être dans les nuages!


Le Professeur

Suffit. Pas tant de manières. Et conjuguez-moi le verbe être, comme tout le monde, c'est tout ce que je vous demande.


L'Élève Hamlet

To be...


Le Professeur

En Français, s'il vous plaît, comme tout le monde.


L'Élève Hamlet

Bien, monsieur.
(Il conjugue:)
Je suis ou je ne suis pas.
Tu es ou tu n'est pas

Il est ou il n'est pas
Nous sommes ou nous ne sommes pas...

Le Professeur
(excessivement mécontent)
Mais c'est vous qui n'y êtes pas, mon pauvre ami!

L'Élève Hamlet

C'est exact, monsieur le professeur,

Je suis «où» je ne suis pas

Et, dans le fond, hein, à la réflexion,
Être «où» ne pas être
C'est peut-être aussi la question.

( Paroles, de Jacques Prévert)

sexta-feira, março 21, 2008

No dia Mundial da Poesia

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.

(in "Poesia: Ó Véspera do Prodígio!", de Natália Correia, 1990)

terça-feira, janeiro 08, 2008

E a frase do dia é:

No capacete de um soldado
fizeram ninho aquelas pombas:

toda a paixão que tem por Marte
eis como Vénus a demonstra

(in Fragmento 36 de Petrónio (Séc. I) tradução de David Mourão Ferreira)

domingo, junho 10, 2007


LUIS DE CAMÕES


A 10 de Junho de 1580, morre aos 56 anos, pobre, enterrado em campa rasa.


“Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram,
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Qua as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso dos meus anos;
Dei causa a que a fortuna castigasse
As minhas mais fundadas esperanças.

De amor não vi se não breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!”

terça-feira, maio 01, 2007

Sophia de Mello Breyner Andresen




O poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

Livro Sexto (1962)