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sábado, junho 02, 2007

O meu Alentejo

segunda-feira, maio 28, 2007

Hoje fiz uma pequena visita ao meu passado. Resolvi limpar uma escrivaninha e, de gaveta em gaveta, mais ácaro menos ácaro, lá fui caminhando por entre registos da minha vida, agendas dos anos 70, bilhetes de espectáculos, diplomas de cursos, extractos de conta, um contrato promessa compra e venda, uns cromos, umas fotografias, uma fotonovela já dos anos 80, toda ela caseira e kilos de cartas, correspondência trocada desde pré-adolescente a jovem adulta.
Porquê guardar tanta coisa?
Porque tenho medo de perder a memória do que compõe ou influenciou parte daquilo que sou hoje. E o que sou hoje? ???????????????????????????????????Nas palavras de John Gray*, nada mais do que um animal, um entre iguais, junto com a cadela, os gatos e, talvez, a mosca que insiste em chatear o pessoal.
(*Vidé "Sobre Humanos e outros animais").

segunda-feira, maio 07, 2007


De repente tive nostalgia do Parque Mayer, de quando o meu avô me levava à Revista. Vinhamos do Alentejo com o programa das festas habitual. Eu devia ter 12 a 13 anos, talvez menos...Almoço no restaurante do ACP, ou petisco de Gambas fritas em alho na Ribadouro e uma visita ao Parque Mayer, para vermos uma revista no Maria Vitória ou no Variedades.

Regra geral, a orquestra parecia-me muito desafinada e os coros muito esganiçados. As mensagens, de cariz político, implícitas nas graçolas de algumas cenas escapavam-me completamente. Mas o meu avô entendia...Assim como também me escapava o brilho nos olhos do meu avô a apreciar à boa maneira do homem alentejano que se preza, as formas redondas das meninas em palco.

Não sei que futuro vai ter, e se vai ser tratado com alguma dignidade ou atirado para as garras de algum empresário sem ligação com o espírito e a memória daquele lugar. Mas a população alfacinha e o povo português em geral, que de vez em quando vem à capital, merece ver aquele espaço reabilitado com a dignidade que lhe é devida.

quarta-feira, abril 25, 2007

No rescaldo do que foi um marco na minha vida, o dia de ontem, e tendo em conta que a minha noção de tempo é de um abstracto atroz - a minha memória omite sequências, cronologias, idades, anos, momentos, pessoas, e, principalmente, os momentos a não recordar (aqueles que queremos mesmo esquecer) - fiz cinquenta anos e nunca imaginei sentir-me tão jovem com esta idade. Não me sinto como me imaginaria com esta idade. Pelo menos, há 3 dias que não tenho idade. Deve ser do trauma. Mas, essencialmente, quero reter, desta data, que me senti preenchida com o amor e amizade dos entes que me rodearam e que entram na minha noção de família. Os que não puderam estar presentes físicamente, estiveram-no de outra forma, mas também estiveram.
E pronto, mais não digo senão começo a liquifazer-me e, à conta dos Whiskizitos comemorativos, ainda evaporo de vez...