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domingo, janeiro 24, 2010

Literatura Portuguesa Contemporânea

Ler, ler bastante, ocupa grande parte do tempo da cigarrajazz. É mesmo uma espécie de bom vício na qual ela investe e reinveste, na esperança de vir a conhecer mais e cada vez mais do que a mente humana é capaz de absorver e transcrever da vida. E em matéria de descobertas recentes na literatura portuguesa, devo dizer que estou muito impressionada com: Gonçalo M. Tavares, Dulce Maria Cardoso, José Luis Peixoto e valter hugo mãe. Apetece-me falar da mais recente: Dulce M. Cardoso. Acabo de ler "Os meus sentimentos" e "Chão de pardais" e percebo porque lhe foi atribuído prémio da União Europeia para a Literatura de 2009. Escrita original, forte, magnética, visão sagaz e satírica da sociedade. Estou rendida. Aconselha-se a leitura de "Os meus sentimentos" como primeira, porque, como a escritora disse numa entrevista, a sua dificuldade em lidar com o fim dos seus livros faz com que o próximo transporte algo do anterior. E é muito engraçado descobrir um personagem do livro anterior no que se lhe segue, assim de repente, que nem faz parte da história em curso. (mal comparado, lembra a fugaz aparição da figura de Hitchcock nos seus próprios filmes). E, só para acabar esta nota, digo e afirmo que "Os meus sentimentos" é um grande livro. Parabéns à escritora.

quinta-feira, abril 03, 2008

&etc

Um destes serões fui surpreendida por um documentário no Canal 2 da RTP sobre a editora &etc e seu fundador, seu coadjuvador e alguns escritores que com ela têm editado, convidados a sobre ela dizerem o que lhes vai no coração. Não vi tudo desde o princípio mas acho que vi o essencial. Não há ninguém com vícios de ler em português que não conheça, pelo menos por fora, aqueles livrinhos quadrados com umas capas que são do melhor grafismo que se pode por aí encontrar. O papel utilizado é encorpado, tipo entre o reciclado e o vergé, muito apelativo para quem também gosta do livro-coisa-física. O único senão era, antigamente, o preço. Isto do ponto de vista de uma estudante sem cheta no bolso, há trinta anos atrás. Passada a época da penúria, lá adquiri alguns volumes que muito prezo e que fui a correr rever, quando do documentário.

Ao que parece a &etc, criada em 1973, por Víctor Silva Tavares, nunca faz reedições dos seus livros («por uma questão de princípio»), não tem fins lucrativos, edita autores desconhecidos e as suas tiragens são muito pequenas. Claro que alguns destes autores são hoje bem conhecidos e reconhecidos: Alberto Pimenta, Adília Lopes, o falecido João César Monteiro ou Eduarda Dionísio, por exemplo.

A Sede da editora fica numa sub-cave da Rua da Emenda, em Lisboa, o subterrâneo, como lhe chama V. S. Tavares (e o nome da empresa é: Edições culturais do subterrâneo), e tem uma porta magnífica, como se pôde ver no documentário. A impressão é, regra geral, feita, tanto quanto percebi, numa antiga tipografia com entrada pela Rua da Alegria, o que também não deixa de ser fascinante, pela sua localização carismática, vizinha do jazz, da revista e do luxuriante jardim botânico.
O jornal "O Público" publicou, há cerca de um ano atrás, um artigo muito interessante sobre Victor Silva Tavares, que poderá ser lido aqui e que mostra como só uma pessoa como ele poderia levar por diante este projecto contra-corrente e marginal, feito de ideais e sonhos, quimeras e outras coisas que tais, tudo menos dinheiro. Claro que teve mecenato, mas isso é o que é devido ao artista pela ordem justa das coisas.
Não consegui ligações cibernéticas com o documentário (que adorava ter para rever e compro se por aí aparecer), mas deixo aqui o grande final do programa "Câmara Clara" de Paula Moura Pinheiro, onde é possível ver, para além do artista editor, um dos seus mais queridos editados, Alberto Pimenta, em momentos de grandiloquência palativa.