segunda-feira, maio 25, 2009

Por alma de João Bénard da Costa (1935-2009)



Não me recordo se ele gostava deste filme, que só agora, ao fim destes anos todos, me decidir visionar - sem dúvida alguma, sei-o agora, um dos melhores filmes da história do cinema - Apocalypse Now Redux. Adiei sucessivamente o seu visionamento, pelo horror que sempre tenho aos filmes sobre guerra, ainda para mais, tratando-se de uma guerra sem sentido, como foi a do Vietname. Mas, finalmente, decidi-me. Fiquei rendida. É um filme belíssimo, com intérpretes do melhor (Martin Sheen, Marlon Brando, Marlon Brando, Marlon Brando e todos os outros – Robert Duvall, Dennis Hopper, Frederic Forrest, Laurence Fishburne, por exemplo), forjado, produzido, realizado por um dos magníficos de Hollywood – Francis Ford Coppola. O seu tema principal: a descida ao local onde a Luz e as Trevas de degladiam num braço de força de que não sabemos a origem nem o fim. Fabulosa banda sonora: os Doors, ou a famosa sequência da "Cavalgada das Valquírias" de Richard Wagner, por exemplo.
Nunca consegui ler o que João Bénard da Costa escreveu sem me sentir a mais inculta das pessoas ao cimo da terra. A sua cultura era imensa e a forma como ele articulava os seus conhecimentos e connosco os partilhava era admirável. Em sua homenagem, um excerto da minha tardia descoberta.

domingo, maio 10, 2009

Ani DiFranco Geo Sessions 2

Ani DiFranco Geo Sessions 1


Estava eu a olhar distraída para a minha zona pop e etc. da música arrumada quando me deparo com um cd de que já não me lembrava nada, só da capa e do nome da cantora/autora. Do conteúdo - zero. E pensei, bom, vou ouvi-lo, mas, cá para mim, isto vai passar para a zona dos que eventualmente servirão a crise, ou seja, feira da Ladra com ele, embora a capa até esteja um primor (nunca vendi nada na FL, mas a hipótese está sempre em aberto). Mas então não é que gostei tanto de re-ouvir o registo que vim logo saber da sua autora aqui na net e, graças a Deus, encontrei-a e para que não volte a acontecer esquecimento como aquele, vá de deixar aqui já a interessante gravação que fez para a National Geographic.

quinta-feira, maio 07, 2009

Lucky 7s' Pluto Junkyard ou um óptimo pretexto.


O pretexto é para falar da editora discográfica, a nossa lisboeta Clean Feed. A propósito de uma das suas mais recentes edições - o cd "Pluto Junkyard" do grupo de free jazz Lucky 7s. Sorte tive eu e todos os que tiverem a dita de ouvir este explêndido resultado de um grupo de sete músicos que juntaram as suas experiências e criatividade individuais numa confluência que se pode dizer de perfeita sintonia free e não só, mas também mesclas de cool, bop, west coast, minimal repetitiva, rock, new thing. Será que estou a exagerar? Quando me entusiasmo, é assim. Mas como é cada vez mais raro entusiasmar-me, ficando-me a impressão de que vão rareando cada vez mais os casos realmente estimulantes em matéria de jazz, ou porque demasiado repetitivos e retrógrados, ou porque demasiado barulhentos e falhos de coração (cerebrais...), tenho de assinalar já este, antes que me dê a preguicite. Investiguei um pouco sobre o grupo e fiquei a saber que nasceu a seguir à terrível calamidade de que New Orleans foi vítima, consequência do furacão "Katrina", sendo que alguns dos músicos são provenientes daquela cidade, e os restantes de Chicago. Os tombonistas Jeff Bishop e Jeff Albert são os principais mentores do projecto, a que se associaram Josh Berman, no cornetim, Keefe Jackson, no saxofone tenor, Jason Adasiewicz, excelente no vibrafone, Matthew Golombisky, contrabaixo e Quin Kirchner, na bateria. Quase todos contribuiram com um tema de sua autoria para este cd, e o resultado foi, volto a dizer, excepcionalmente bom.
Quanto à Clean Feed, é um orgulho nacional. Criada há meia dúzia de anos, e com loja aberta ao público na Rua do Alecrim, em Lisboa, sob o nome de Trem Azul, dedica-se a um nicho do mercado discográfico do Jazz muito específico - na zona do free/contemporâneo - descoberta e lançamento de novos valores, para além dos já consagrados que a escolhem pela qualidade cada vez mais internacionalmente reconhecida das suas edições. Foi eleita por alguns dos maiores especialistas norte-americanos como uma das mais interessantes editoras de jazz surgidas nos últimos anos, a nível mundial. Parabéns e continuem assim, por favor!

terça-feira, maio 05, 2009

Oumou Sangare - Seya

Há pessoas neste planeta que, felizmente, ganham volume planetário. Pessoas de tal grandeza e beleza que só de elas ter conhecimento já se me engrandece a vida. Oumou Sangare, que aqui tinha assinalado, é um desses raros exemplos. Maliniana de coração, raça e força, sublime na sua belíssima e inspiradora intervenção artística a decorar mensagens de intervenção social importantíssimas e urgentes. Aconselho a audição e leitura da informação que acompanha o seu mais recente cd, Seya (World Circuit production-WCD081).
Há cerca de três anos atrás, fui ouvi-la ao vivo num daqueles espectáculos ao ar livre, em Belém, a que só vou mesmo quando sou "fan" da criatura em palco, pouco tempo depois da partida definitiva do seu compatriota Ali Farke Toure (que me deixou muitas saudades), e a homenagem que esta senhora lhe prestou foi qualquer coisa de arrepiar.

E a propósito de "músicas do mundo"

O grupo búlgaro de vozes femininas Angelite anda em digressão pelo nosso país. Quem puder não perca, porque as famosas vozes búlgaras e o seu repertório musical são de uma beleza, por vezes, transcendente, como se pode aferir do vídeo que o You Tube nos dá a alegria de connosco partilhar. Na minha discografia já há muito as guardo como quem guarda uma jóia de valor. Aliás, para mim, não há pedras preciosas que valham tanto como certos momentos musicais.

sexta-feira, abril 17, 2009

Handel, George Frideric (1685-1759) - Hoje, Agrippina, no Teatro Nacional de S.Carlos

(Nero e Agrippina)
Estreia hoje, no Teatro Nacional de S.Carlos, o Dramma per musica in tre atti Agrippina.
Foi a segunda e última ópera que Handel compôs durante a sua estadia em Itália (1706-1710). Estreou-se no Teatro de San Giovanni Grisostomo, em Veneza, no Carnaval de 1709, data provável, 26 de Dezembro. Esta ópera constitui o primeiro grande triunfo, na carreira do compositor e foi executada 27 vezes sucessivas, sempre perante audiências entusiásticas.
O elenco foi, então, composto pela soprano Margherita Durastanti (Agrippina), o barítono Giuseppe Maria Boschi (Pallante), a sua mulher, a contralto Francesca Vanini-Boschi (Ottone), o castrato soprano Valeriano Pellegrini (Nero), Diamante Maria Scarabelli (Poppea), Antonio Francesco Carli, um baixo com um registo incrivelmente baixo (Claudius), o alto castrato Giuliano Albertini (Narcissus) e um baixo, ao que parece, padre, Nicola Pasini (Lesbus).
A parca produção operática de Handel, em Itália, deve-se ao facto de a maioria dos teatros públicos terem sido fechados por ordem do Papa. Enquanto trabalhou para dois patrões ricos,os Cardeais Pamphili e Ottoboni, compôs, para além de música sacra e dois oratórios, cerca de 80 cantatas seculares para execução privada. Havia, nesta altura, poucas diferenças, excepto na duração, entre cantata, oratório e ópera; as três dependendo da alternância entre o recitativo secco e a ária da capo*, árias de expressão emocional intensa e de forma mais ou menos dramática.
O autor do libretto foi o Cardeal Vincenzo Grimani, distinto diplomata, cuja família detinha o Teatro San Giovanni Grisostomo. O libreto, considerado dos melhores, baseia-se todo ele, à excepção do servo Lesbo, em personagens históricas. Trata-se de uma ópera que assume o espírito da Veneza do séc.XVII, na linha de Cavalli ou de Monteverdi, muito popular, na época, misturando situações cómicas com emoções sérias, aromatizadas de ironia. Trata-se, no fundo, de uma sátira à corrupção na vida da Corte. Tem sido sugerido que o Imperador Cláudio nada mais é do que uma caricatura subtil do Papa Clemente XI, de quem Grimani era opositor político.
Na maioria dos seus aspectos, a partitura, com as suas numerosas árias pequenas, segue a prática do Séc. XVII. Por exemplo, os dois pequenos grupos, um trio e um quarteto, no Primeiro Acto, em que as vozes nunca se ouvem em conjunto, também pertencem mais à tradição do que à inovação.
*Ária da capo=Forma em que a primeira parte é repetida. (Da capo=Do princípio)

quinta-feira, abril 09, 2009

Susan Sontag e Mies Van der Rohe

Tenho andado a vaguear em torno da obra e vida de Susan Sontag e deparei-me com este vídeo em que ela faz alguns comentários a uma das mais conhecidas obras do arquitecto alemão Mies Van der Rohe, The Seagram, em Nova Iorque. É um momento bem apanhado, em que ela diz algumas coisas engraçadas, cuja tradução presumo que não seja necessária. Bom, não é bem isto que queria dizer. É mais: não teria tanta graça.

"The Seagram Building gleamed like a switchblade in the autumn sun."


"The elevator swished up like a gigolo's hand on a silk stocking...."

No vídeo, o parceiro de diálogo é o arquitecto Philip Johnson, parceiro de M.V. der Rohe, na concepção deste edifício (interiores).

domingo, março 29, 2009

Só passei para dizer que:

Devido a problemas com comunicações cá por casa, net que não funciona, telefones que também não, técnicos que não resolvem os problemas, enfim, uma beleza, tenho andado mais intermitente do que o habitual. Ontem, por exemplo, era suposto fazer uma chamada de atenção para um programa cinco estrelas, de que só não usufruí por motivos bem comezinhos (surda de um ouvido, por causa da renite alérgica, tempo frio e ventoso...) mas que, para uma comodista como eu, desmobilizam o propósito: o concerto das três Marias no Centro Cultural de Cascais, por obra de João Moreira dos Santos, do JNPI, em homenagem a Luís Villas-Boas. Tive uma pena imensa de não ter comparecido. As três Marias (Anadon, João e Viana) prometiam corresponder às expectativas e, basta conferir aqui para se ver que deve ter sido bem agradável. Os dois vídeos YouTube sempre servem de lenitivo, mas sabem a pouco.

terça-feira, março 17, 2009

Yemanjazz - Uma boa descoberta


YEMANJAZZ_MininasdiCafé VCLIP from ivan goite on Vimeo.

Acabo de descobrir este grupo e corro a divulgá-lo, para já porque a sua música condiz com este Verão antecipado que nos invadiu o Inverno. É uma lufada de ar fresco em Portugal com exotismos de outros lugares. Lembra muita gente grande do jazz de fusão, Edberto Gismonti, por exemplo, mas também Coltrane, também por exemplo. Prazer em conhecê-los, Yemanjazz.