ou o jazz como filosofia sujacente à renovação no improviso da eterna procura ou o jazz como elo de ligação entre tudo o que apetece
terça-feira, março 17, 2009
Yemanjazz - Uma boa descoberta
YEMANJAZZ_MininasdiCafé VCLIP from ivan goite on Vimeo.
Acabo de descobrir este grupo e corro a divulgá-lo, para já porque a sua música condiz com este Verão antecipado que nos invadiu o Inverno. É uma lufada de ar fresco em Portugal com exotismos de outros lugares. Lembra muita gente grande do jazz de fusão, Edberto Gismonti, por exemplo, mas também Coltrane, também por exemplo. Prazer em conhecê-los, Yemanjazz.
domingo, março 08, 2009
Uma prenda da nprmusic no Dia da Mulher
Para comemorar este dia, seis bons exemplos de mulheres no jazz. Nesta selecção, feita pela npr, podemos ouvir a pianista e compositora Mary Lou Williams, a "rainha" do orgão Hammond B-3, Shirley Scott, a veneranda pianista, Marian McPartland, a pianista Geri Allen, num registo mais afro, Regina Carter, que tem, no tema aqui escolhido, a particularidade de o executar no violino que pertenceu a Paganini, um Guarneri del Gesu, tendo sido a primeira artista de jazz a quem foi permitido fazê-lo, e Maria Schneider, a excelente compositora, orquestradora e maestrina, num tema que invoca tempos mais clássicos.
sábado, março 07, 2009
Flores pelo 8 de Março

Antes que me passe o entusiasmo, fica já aqui escrito que li com sofreguidão a entrevista a Patti Smith, publicada esta sexta-feira no suplemento do jornal "Público", Ípsilon, a propósito da recente estreia do filme biográfico "Patti Smith: Dream of Life", já aqui referenciado. Fiquei a saber que gosta de Fernando Pessoa, que sempre sentiu fascínio por Lisboa, que, embora não beba, gosta de vinho do Porto, que também gosta de Wagner e de Waltraud Meier (cantora lírica alemã), que gosta de fado e que até tem em curso o projecto de um livro sobre Lisboa. Em resumo, temos muito em comum, o que acrescenta ainda mais ao quanto gosto dela. Uma mulher fantástica. O filme, que já tinha visto há uns meses, quando da sua primeira exibição em Lisboa, não sendo uma obra prima, consegue captar bastante do essencial para se perceber quem é Patti Smith, o que a motiva, o que a torna tão especial, a sua arte, o seu quotidiano, o seu mundo. E para assinalar o Dia da Mulher, deixo aqui umas flores do seu amigo Robert Mapplethorpe, um dos meu fotógrafos favoritos. Acho que ela também deve gostar.
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segunda-feira, março 02, 2009
Orquestra sinfónica de Kinshasa
Uma amiga enviou-me este vídeo. São coisas assim que nos dão alento...
sábado, fevereiro 28, 2009
Hamlet segundo Prévert

L'Accent grave
Le Professeur
Élève Hamlet!
L'Élève Hamlet
(sursautant)
...Hein...Quoi...Pardon...Qu'est-ce qui se passe...Q'est-ce qu'il y a...Qu'est-ce que c'est?...
Le Professeur
(mécontent)
Vous ne pouvez pas répondre «présent» comme tout le monde? Pas possible, vous êtes encore dans les nuages.
L'Élève Hamlet
Être ou ne pas être dans les nuages!
Le Professeur
Suffit. Pas tant de manières. Et conjuguez-moi le verbe être, comme tout le monde, c'est tout ce que je vous demande.
L'Élève Hamlet
To be...
Le Professeur
En Français, s'il vous plaît, comme tout le monde.
L'Élève Hamlet
Bien, monsieur. (Il conjugue:)
Je suis ou je ne suis pas.
Tu es ou tu n'est pas
Il est ou il n'est pas
Nous sommes ou nous ne sommes pas...
Le Professeur
(excessivement mécontent)
Mais c'est vous qui n'y êtes pas, mon pauvre ami!
L'Élève Hamlet
C'est exact, monsieur le professeur,
Je suis «où» je ne suis pas
Et, dans le fond, hein, à la réflexion,
Être «où» ne pas être
C'est peut-être aussi la question.
( Paroles, de Jacques Prévert)
domingo, fevereiro 15, 2009
Chama-se Once upon a Summertime

Foi gravado em Setembro de 1958, dias 12 e 13, em Nova Iorque. Norman Granz (Verve) convenceu-a. Acompanharam-na, Mundell Lowe, na guitarra, Ray Brown, no baixo, Ed Thigpen, bateria. Ela cantou e tocou piano. E não é que hoje me está a saber magníficamente bem ouvi-la?...Ontem mencionei ter só um cd, não disse qual. É este. Justiça me seja feita, que ainda há poucos meses atrás o ouvi de novo, para me testar. Mas ainda não estava, então, dentro do "espírito" da coisa. Foi preciso esta notícia fatal para me fazer reapreciar Dearie. E não sei se é de hoje ter festejado algo muito importante para mim ou se por achar que ontem não lhe prestei tributo suficiente, senti este impulso de a re-homenagear.
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sábado, fevereiro 14, 2009
Blossom Dearie (1926-2009)
Soube há pouco que faleceu, no dia 7 deste mês, Blossom Dearie, cantora e pianista de jazz de quem pouco se falava por estas bandas, talvez por soar muito diferente de todas as outras cantoras de jazz. Tinha uma voz suave, de ternura infantil, pouco ou nada parecida com o que se entende ser uma voz de jazz. No entanto, houve, recentemente, alguém que me fez lembrar esta vocalista. A cantora sueca Lisa Eckdahl. Sendo que aqui há um a espécie de upgrade para um estádio mais adolescente, com dose adicional de sensualidade. Mas, voltando a Blossom, ou Marguerite Blossom Dearie, tive conhecimento da sua existência através de um fanático da senhora e, na altura, não a soube apreciar. Acho que ainda hoje o não sei. Tenho um cd, que raramente ouço, e mais nada. Mas quando soube do seu desaparecimento, tive a certeza de que ela merecia muito mais atenção do que a que teve. Pelo menos da minha parte. Apreciando ou não a sua voz e o seu estilo, tenho a certeza do seu enorme mérito. E como hoje é o dia dos namorados(as), parece-me que este vídeo chega bem para o assinalar e, ao mesmo tempo, recordar essa voz, cuja doçura sempre me transcendeu (tal, aliás, como a beleza de Audrey Hepburn).
Vídeo By Fly: http://myflyaway.blogspot.com "Try Your Wings" Blossom Dearie "Breakfast At Tiffany's" Movie (Not official video/Video não oficial)
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segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Billie Holiday (1915-1959)

Já aqui coloquei um vídeo em tempos sobre Billie Holiday, ou Eleanora Fagan, mas sem lhe adicionar grandes palavras, porque a emoção de a ouvir deixa-me, quase sempre, meio "apanhada do clima". Como disse Boris Vian: "On aime ou n'aime pas Billie Holiday, mais quand on l'aime, c'est a l'a façon d'un poison". Mas, depois de ler sobre ela na revista francesa Jazzman (nº.153) do mês passado, de onde extraí esta citação, vou mesmo dedicar-lhe mais um apontamento. Destas leituras recentes fiquei a saber umas coisas mais que outras leituras, como por exemplo, a da sua autobiografia Lady Sings the Blues, me não tinham transmitido. Fiquei a saber que os seus pais nunca se casaram, ao contrário do que ela afirmava, e que, quando ela nasceu, a sua mãe, Sadie Fagan, não tinha 13 anos nem o seu pai, Clarence Holiday, 16, mas sim 19 anos, ela e 17, ele. Não é que isso tenha muita importância, apenas que andei a aldrabar algumas pessoas sem o saber. Inclusivé, estava convencida de que existia uma grande cumplicidade entre mãe e filha, o que também parece não ser totalmente verdade. Ao que parece, muito da infelicidade de Billie foi consequência da frieza e desapego com que a mãe a tratou enquanto criança. Vindo depois a mostrar-se possessiva, demasiado presente e negligente, tornou-se, apesar de tudo, na única pessoa que verdadeiramente contava na sua vida (sic Jazzman). O tema que compôs inspirado em sua mãe, God Bless the Child , reflecte, afinal, essa noção de abandono que a acompanhou até ao fim da vida.
Não vou traduzir aqui o artigo que a dita revista francesa lhe dedicou, mas vale a pena aceder à sua leitura. Está muito bem elaborado e acrescenta algumas coisas que interessam a quem gosta de ir um pouco além na percepção do que foi esta extraordinária cantora. Porque aquilo de que gostamos acaba por ser o produto final de uma vida de abusos, sofrimento, vício, onde a felicidade parecia só comparecer em palco, quando cantava para o seu público. Não sabia ler música, mas tinha um sentido rítmico e uma memória formidáveis. Faz em Julho deste ano 50 anos que morreu. Tinha apenas 44 anos e um passado de prostituição, droga, prisão e relações falhadas.
Esta homenagem da Jazzman está excelente e, repito, vale a pena lê-la para perceber como uma voz pode reflectir, não apenas um dom e técnica, mas toda uma vida que desceu aos mais profundos abismos para alcançar a eternidade.
sábado, janeiro 17, 2009
Ouvir o Village Vanguard

Estou feliz. O meu clube de jazz favorito* em Nova Iorque, The Village Vanguard, está a oferecer a possibilidade de poder-se ouvir (e até, comentar) os seus concertos em directo, através do NPR (National Public Radio), ou as gravações, caso não nos seja possível o directo. E não se paga nada (por enquanto). Nem queria acreditar. Bom, (desabafo): Se eu fôr aos Estados Unidos da América ouvir fado, czardas, ou sevilhanas, estarei sempre no sítio errado, ou apenas o meu corpo estará presente, porque a música irá transportar-me para os sítios onde a alma destas músicas se encontra. Com o jazz é o mesmo. O facto de podermos estar "presentes" no local onde tudo se conjuga - alma, raíz, acontecimento - é uma coisa perfeita, uma realização. Quero dizer: Gostava mais de lá ter estado, mas já que não me foi possível...
*Favorito porque: A nata do jazz gravou os seus concertos neste lugar; é o local de jazz de que mais gostei, em N.I.; continua com uma excelente programação.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Gene Krupa (1909-1973)
Faz amanhã 100 anos que nasceu Gene Krupa, considerado por alguns "o maior baterista de todos os tempos". Um portento, como podemos recordar neste vídeo.
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