domingo, novembro 08, 2009

Jorge Colombo at The New Yorker


Jorge Colombo, um dos nossos valores nacionais a viver lá longe, nos Estados Unidos da América, continua a mostrar a sua arte de desenhar e estar um passo à frente quer em técnica, quer em bom gosto. Isto que aqui se vê foi desenhado com os dedos sobre o écran do seu telemóvel...Há muitos anos que admiro o seu trabalho e é com muito agrado que o vejo em continuidade na sua transcrição gráfica do fascínio que a vida urbana sobre ele parece exercer.

domingo, outubro 04, 2009

Ópera em jazz e sem vozes


Gosto muito e quero partilhá-lo. O último trabalho do contrabaixista e compositor John Patitucci, com Joe Lovano no clarinete alto e Brian Blade na bateria. Alta inspiração, soberba interpretação. A foto é só para repousar a vista.

domingo, setembro 06, 2009

Uma bela ópera contemporânea


Prazer que se adivinhava, sucessivamente adiado, finalmente gozado: Falo de L'Amour de loin, de Kaija Saariaho, compositora finlandesa contemporânea e da sua primeira ópera, cuja estreia em 2000 foi de imediato aclamada quer pela crítica, quer pelo público. Com libreto do escritor libanês radicado em França, Amin Maalouf sobre poesia de Jaufré Rudel, trovador francês do Séc. XII, dedicada a um amor imaginado e impossível (que afinal se revela possível porque um peregrino lhe diz existir uma mulher com aquela descrição em Tripoli, a condessa de Tripoli), encenação de Peter Sellars, Orquestra e Coro da Ópera Nacional Finlandesa, direcção de Esa-Pekka Salonen e interpretação de Dawn Upshaw (soprano), Monica Groop (mezzo-soprano) e Gerald Finley (tenor). Aconselho o DVD (Deutsche Grammophon 00440 073 4026 de 2004/2005) e uns bons auscultadores para que não se perca pitada desta maravilha. Deixo alguns links para a audição de excertos desta ópera (embora a qualidade de som não lhe faça justiça) e de outras obras de Saariaho igualmente belas.
E mais. Tenho uma pena imensa de não poder ter estado numa outra encenação desta ópera que teve lugar em Julho deste ano em Londres, com encenação de Daniele Finzi Pasca.

sábado, agosto 01, 2009

Há quanto tempo...Um clássico


Para começar bem o mês de Agosto, início de férias para muita e boa gente, e porque se deve entrar com um atitude positiva e de coração aberto (isto é um depósito, digo, este blog, de lugares "conhecidos"), aqui está - uma Joan Armatrading numa armadilha de há 30 anos atrás, muito bem esgalhada e sempre óptima de se ouvir. Boas Férias!

quarta-feira, julho 01, 2009

R.E.P. Pina Bausch (1940-2009)






Quando as palavras se tornam demasiado negras e tristes não apetece dizê-las. Ainda bem que existem os registos filmados, fotografados, escritos, porque uma arte assim...

quinta-feira, junho 18, 2009

Boris Vian no Arte


Logo às 19h45, no canal de tv Arte, um documentário sobre Boris Vian. Vou tentar não perder. A 23 de Junho próximo, terão decorrido 50 anos sobre a sua morte. Por acaso ainda há pouco o tinha recordado pela leitura de um artigo publicado na revista "os meus livros", escrito por Luis C. Marinha, de que tomo a liberdade de transcrever um excerto de excertos autobiográficos desta figura de culto francesa ("Boris Vian en Verve"): nascera 39 anos antes, "no dia 20 de Março de 1920, à porta da maternidade encerrada por causa de uma greve", na localidade francesa de Ville-d'Avray, Hauts-de-Seine, filho de Yvonne Ravenez e Paul Vian. "A minha mãe, grávida das obras de Paul Claudel - é desde essa altura que não o suporto - estava no final do seu 13º. mês de gestação e não podia esperar pela resolução do diferendo. Um santo homem, padre , que passava por acaso, pegou em mim e confortou-me: disse-me que eu era realmente disforme (data dessa altura a minha fobia aos incensórios). Por sorte, uma loba afamada, que acabara de dar à luz Pierre Herve, tomou-me sob a sua guarda e deu-me de beber. Cresci em força e sabedoria, mas nunca deixei de ser feio e disforme embora ornado de um sistema piloso descontínuo mas bastante desenvolvido. Na verdade, eu tinha a cabeça da Vitória de Samotrácia."
Enquanto escrevo isto, ouço o único cd que tenho de Boris Vian, que, como se sabe, tocava trompete de bolso ("trompinette c'est une petite trompette") nos bares de jazz parisienses, tendo inclusivé tocado com o Quinteto do Hot Club de France. Uma compilação que dá uma ideia da sua actividade musical entre 1936 e 1944 - Boris Vian et le Jazz français. Mas Boris Vian ficou famoso mais por aquilo que escreveu, como "A Espuma dos Dias", "As Formigas", ou o poema "O Desertor", do que pela sua vertente jazzística. E também muito pela sua vida de boémia "intelectual" na Paris existencialista. Tudo a rever num documentário que se preze. Logo ao jantar.

quarta-feira, junho 17, 2009

Robin Holcomb


Her work has been called "remarkable" (CMJ), "stunning" (Option), "entrancing" (Billboard) and "sensitive, descriptive, adventuresome and full of soul" (Washington Post). "Hers is an unsettling, utterly original vision." (Entertainment Weekly) According to The New York Times: "Ms. Holcomb has done something remarkable here: she has created a new American regionalism, spun from many threads - country, rock, minimalism, Civil War songs, Baptist hymns, Appalachian folk tunes, even the polytonal music of Charles Ives. The music that results is as elegantly simple as a Shaker Quilt, and no less beautiful."(in http://www.robinholcomb.com/biography.html)

Pois...Tenho uma certa tendência para exagerar quando transmito entusiasmos, eu sei, porque quando gosto, gosto tanto que tenho necessidade de o partilhar com toda a gente e dizer: Olhem, temos aqui algo que merece ser mais divulgado. Cá está, ando há mais de um mês para o fazer e também para decidir se mando vir o cd ou se compro mp3. Um dos dois compro de certeza. Robin Holcomb é muito especial. A sua criação musical, a sua atitude, a sua diferença fizeram-me parar e reflectir sobre o que é a música, o que são as palavras que acrescentam a música e que com ela se fundem, e como uma voz pode ser tão única. "The Big Time" (Nonesuch-2002) vai ser a minha próxima aquisição. "Like I Care", a faixa 15 do cd The Nonesuch Collection Vol.2, é a grande culpada desta fixação. E, pelos vistos, lá longe, também a reconheceram...

segunda-feira, maio 25, 2009

Por alma de João Bénard da Costa (1935-2009)



Não me recordo se ele gostava deste filme, que só agora, ao fim destes anos todos, me decidir visionar - sem dúvida alguma, sei-o agora, um dos melhores filmes da história do cinema - Apocalypse Now Redux. Adiei sucessivamente o seu visionamento, pelo horror que sempre tenho aos filmes sobre guerra, ainda para mais, tratando-se de uma guerra sem sentido, como foi a do Vietname. Mas, finalmente, decidi-me. Fiquei rendida. É um filme belíssimo, com intérpretes do melhor (Martin Sheen, Marlon Brando, Marlon Brando, Marlon Brando e todos os outros – Robert Duvall, Dennis Hopper, Frederic Forrest, Laurence Fishburne, por exemplo), forjado, produzido, realizado por um dos magníficos de Hollywood – Francis Ford Coppola. O seu tema principal: a descida ao local onde a Luz e as Trevas de degladiam num braço de força de que não sabemos a origem nem o fim. Fabulosa banda sonora: os Doors, ou a famosa sequência da "Cavalgada das Valquírias" de Richard Wagner, por exemplo.
Nunca consegui ler o que João Bénard da Costa escreveu sem me sentir a mais inculta das pessoas ao cimo da terra. A sua cultura era imensa e a forma como ele articulava os seus conhecimentos e connosco os partilhava era admirável. Em sua homenagem, um excerto da minha tardia descoberta.