segunda-feira, janeiro 14, 2008

Ben Allison


Músico a ter em muita conta nos nossos dias de jazz, Ben Allison, contrabaixista e compositor, acaba de publicar mais um álbum na sua editora habitual, a "Palmetto Records" - "Little Things Run The World", com os seus acompanhantes do costume, Michael Blake (Sax), Ron Horton (Trompete), Michael Sarin (bateria) e ainda Steve Cardenas (guitarra). Por cortesia da editora, fica aqui o acesso à faixa n.1, Respiration, onde podemos apreciar um jazz refrescante e alegre, de tonalidades rock que, embora não me apaixone, não deixa de ser agradável, bem construído e muito bem executado. Este tema fez, também, parte de um seu álbum anterior, "Buzz".

domingo, janeiro 13, 2008



Uma das maiores figuras da História do Jazz. Era inevitável falar sobre ele (ou não fosse um dos meus favoritos...)

ART BLAKEY (1919-1990)
Como muitos músicos de jazz, Art Blakey começou a sua carreira na igreja. Sendo a sua família devota da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Art rapidamente se tornou um mestre tanto no piano como na Bíblia.
Mas a sua carreira como pianista teve uma abrupta e radical interrupção quando o dono do bar onde então tocava - o Democratic Club - em Pittsburgh, lhe ordenou que saltasse do piano para a bateria.
Art, ainda adolescente, viu o seu lugar de pianista ser-lhe usurpado pelo então ainda muito jovem Erroll Garner, tão talhado para o piano como Art viria mais tarde a sê-lo para a bateria. Esta reviravolta na sua carreira foi uma benção para Art, que, durante seis décadas, viria a influenciar e impulsionar a carreira de inúmeros outros músicos de jazz.
Enquanto jovem, Art actuou sob a tutela do legendário baterista e director de orquestra, Chick Webb. Em 1937, Art regressou a Pittsburgh, formando a sua própria banda, ao lado da pianista Mary Lou Williams, sob cujo nome a banda actuou.
Em 1939, encetou uma digressão de três anos com Fletcher Henderson. Depois de um ano em Boston, no Tic Toc Club, juntou-se ao grande Billy Eckstine, tendo actuado, entre outros, com Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Sarah Vaughan.
Em 1948, Art disse aos repórteres que tinha visitado África, onde aprendeu percussão polirítmica e foi apresentado ao islamismo, assumindo o nome de Abdullah Ibn Buhaina. Em finais dos anos 40, Art cria a sua primeira formação dos Jazz Messengers, uma banda de 17 elementos.
Após uma breve actuação com Buddy DeFranco, Art junta-se, em 1954, ao pianista Horace Silver, ao altoista Lou Donaldson, ao trompetista Clifford Brown e ao contrabaixista Curly Russell, e gravam um "live" at Birdland, para a Blue Note Records. No ano seguinte, Art e Horace Silver fundam o quinteto que será os Jazz Messengers. Em 1956, Horace Silver deixa o grupo para formar o seu próprio, ficando os Jazz Messengers para Art Blakey.
A sua batida vigorosa e enérgica, de ritmo quase tribal, com constante utilização dos pratos superiores da bateria, era facilmente identificável e permaneceu uma constante ao longo dos seus 35 anos de Jazz Messengers. O que mudava era o incontável número de músicos talentosos que com ele tocaram, muitos dos quais sairam dali para formarem os seus próprios grupos de jazz.
Nos primeiros anos, figuras como Clifford Brown, Hank Mobley e Jackie McLean integraram a banda. Em 1959, o saxofonista tenor Benny Golson juntou-se ao quinteto, tendo recrutado o que permaneceria uma das formações mais duradouras dos Jazz Messengers: O saxofonista Wayne Shorter, o trompetista Lee Morgan, o pianista Bobby Timmons e o baixista Jymmie Merritt.
Os temas produzidos entre 1957 e princípios dos anos sessenta tornaram-se imagem de marca dos Messengers - incluindo "Moanin" de Timmons, "Along came Betty" e "Blues March" de Golson e "Ping Pong" de Shorter.
Por esta altura, os Messengers eram um grupo incontornável nos circuitos de jazz e começaram a gravar para a Blue Note Records. Encetaram tournées pela Europa, com algumas escapadelas até África e tornaram-se o primeiro grupo americano de jazz a tocar no Japão, para audiências japonesas. Esta primeira digressão pelo Japão constituiu um ponto alto na vida do grupo. No aeroporto de Tóquio, o grupo foi saudado por centenas de fans, enquanto se ouvia "Blues March" nos altifalantes e a sua visita foi difundida pela televisão nacional.
Em 1961, o trombonista Curtis Fuller transformou os Messengers num sexteto, dando-lhes um formato que lhes permitia incorporar o som de uma orquestra no seu repertório hard-bop. Ao longo dos anos 60, os Messengers permaneceram na crista da onda nos circuitos do jazz, integrando grandes nomes,tais como Cedar Walton, Chuck Mangione, Keith Jarrett, Reggie Workman, Lucky Thompson e John Hicks. Na década seguinte, mantiveram a sua força, com menos gravações mas não menos energia.
Numa altura em que muitos músicos de jazz se viravam para experiências electrónicas e de fusão com a Pop, os Messengers mantiveram-se fiéis ao jazz puro.
Esta postura de fidelidade ao purismo deixara Art em posição de vantagem quando do ressurgimento do gosto pelo jazz nos anos 80. Trabalhou com o trompetista Valery Ponomarev, o sax tenor Billy Pierce, o sax alto Bobby Watson e o pianista James Williams. A entrada do trompetista Wynton Marsalis em cena, em 1980, teve também um papel de não menos importância neste ressurgimento.
Ao longo dos anos 80, e até à sua morte, em 1990, Art manteve a integridade do projecto, continuando a revelar músicos como os trompetistas Wallace Rooney e Terence Blanchard, pianistas como Mulgrew Miller e Donald Brown, baixistas como Peter Washington e Lonnie Plaxico, entre outros.
Art morreu aos 71 anos, depois de uma carreira que percorreu seis das melhores décadas do jazz, permanecendo para sempre na memória de todos os que com ele trabalharam, como uma enorme energia inspiradora, tendo influenciado, motivado e impulsionado muitos dos maiores músicos da actualidade.
(Do "Album of the Year"1981,MCA Records, a faixa "In case you missed it" (Robert Watson), com Art Blakey na bateria, Winton Marsalis no trompete, Bill Pierce no sax tenor, Robert Watson no sax alto, James Williams no piano e Charles Fambrough no baixo) .
Da dúzia de albuns que possuo liderados por este mestre, a escolha foi difícil e embora não mostre Art na sua pujança inicial, principalmente nos anos 50 e 60 do século passado, é um dos que mais me agrada pela qualidade e homogeneidade de todo o grupo e pelos temas escolhidos. Gostaria de ter colocado aqui outras faixas do mesmo, tais como "Ms.B.C.", composta pela mulher de Robert Watson, Pamela Watson em homenagem a Betty Carter, ou "Soulful Mister Timmons", de James Williams, em homenagem ao exMessengers Bobby Timmons , grande pianista e compositor de alguns dos temas mais famosos dos Jazz Messengers (ver link), mas, por motivos óbvios, fico-me pela sugestão. A não perder também a interpretação de Art no tema de Dizzy Gillespie, "A night in Tunisia", no album "Theory of Art"(1957) - os primeiros dois minutos são um absoluto exemplo do que era, realmente, a arte de Blakey, e a entrada dos sopros em cena é qualquer coisa de extraordinário.

terça-feira, janeiro 08, 2008

E a frase do dia é:

No capacete de um soldado
fizeram ninho aquelas pombas:

toda a paixão que tem por Marte
eis como Vénus a demonstra

(in Fragmento 36 de Petrónio (Séc. I) tradução de David Mourão Ferreira)

sábado, janeiro 05, 2008

Anthony & The Johnsons - "My Lady Story"

Impossível não se gostar desta voz. Impossível ficar-se apático perante estes sons que nos invadem directamente o coração sem passar pelos filtros cérebro-auditivos. Não é Jazz, não é erudição, é coração. Este rapaz, de quem já há mais de um ano possuo o CD "I am a Bird Now", conquistou-me à primeira. E como o You Tube tem tudo, também lá o encontrei. Fica aqui o meu reconhecimento.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

IT AIN'T NECESSARILY SO...Jascha Heifetz version

Já agora, e porque sou fan de Heifetz, a sua versão do dito tema de Gershwin, enfim, isto é só para começar o ano em beleza. Feliz Ano Novo! a todos os que por aqui passarem. Happy New Year, para o universo, extraterrestres incluídos.
Para mim, Rondò Capriccioso para violino e orquestra, de Camille Saint-Saëns, nunca viu melhor interpretação que por este que foi considerado por muitos, o maior violinista do Séc.XX. Aqui no filme They shall have music (1939).

sábado, dezembro 29, 2007



Erroll Garner (1921-1977)
A propósito de Oscar Peterson, não posso deixar de referir aqui este grande pianista e compositor de jazz, aparecido no pós-II Grande Guerra, em Nova Iorque, em estilo be-bop muito particular. Possuo esta relíquia na minha colecção de vinil, uma versão bem sincopada e swingada de ecos Porgy and Bess - It ain't necessarily so (G.Gershwin) que ouço com imenso prazer desde a minha pré-adolescência. Não consigo dizer se é bom ou mau - é um amor incondicional. Nada do que ouvi de E. Garner me entusiasmou tanto. Laura, por exemplo, é muito bonito mas não me faz vibrar - é de um romantismo impossível, de conto de fadas, ou Misty, talvez o seu tema mais famoso, de uma beleza melódica incrível, incluído nos filmes:
Play Misty for Me (1971)
Defending Your Life (1991, Erroll Garner)
Texas Tenor: The Illinois Jacquet Story (1991)
Manhattan Murder Mystery (1993, Erroll Garner)
Naked Gun 33-1/3 (1994, Johnny Mathis)
Ocean's Eleven (2001, Liberace) And on stage:
Swinging on a Star: The Johnny Burke Musical (1995) Broadway musical And on television:
Today Show (1962) theme music for NBC morning news magazine
The Muppet Show (1978, Liberace) Episode 57
My House in Umbria (2003) HBO

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Um grande músico a relembrar sempre, mesmo se não temos capacidade para abarcar tanta emoção. Um grande músico "de ouvido" - nunca soube ler música, em toda a sua vida.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Goodbye Oscar Peterson (15.08.1925-23.12.2007)



Por muito que se esteja preparado, é sempre triste ver desaparecer alguém que marcou tanto o jazz enquanto músico de uma qualidade extraordinária, como se pode verificar neste vídeo, gravado algures no início dos anos 60 (que mais não adianta a sua legenda no youtube), com Ray Brown no contrabaixo e Ed Thigpen na bateria.
O mundo do jazz vai ficando sem as suas referências vivas. Esperemos que elas continuem a fazer boa música onde quer que estejam.

domingo, dezembro 23, 2007

SANTA CLAUS / SONNY BOY WILLIAMSON


'santa claus' (1960)
'sonny boy's christmas blues' (1951)

quinta-feira, dezembro 13, 2007





George Russell (Cincinatti, U.S.A.,1923-)
Um dos músicos que maior influência teve nas novas tendências do Jazz. Foi um dos principais inspiradores de "Kind of Blue", considerado um dos melhores albuns de jazz de todos os tempos. Motivado por uma resposta de Miles Davis, que, à pergunta que lhe fizera sobre qual o seu objectivo máximo, enquanto músico, lhe respondeu: "Gostava de aprender todas as variantes", desenvolveu uma nova teoria à volta da música modal, sobre a qual escreveu um livro, "The Lydian Chromatic Concept". Livro que se tornou uma referência e matéria de estudo para os músicos mais inovadores, de jazz e música contemporânea.
Escolhi, para o escaparate audio, duas faixas, Manhattan-Rico (10:12) do album New York, N.Y. (1958) e D.C.Divertimento (9:14) do album The Outer View (1962).
Intervenientes: "Outer View" George Russell - piano, Don Ellis - Trompete, Garnett Brown - Trombone, Paul Plummer - Sax Tenor, Steve Swallow - baixo, Pete La Roca - bateria; "New York, N.Y." Jon Hendricks (Voz), Don Lamond - bateria, Al Epstein - bongos, George Russell -bateria, e, entre outros, Art Farmer - trompete, Bob Brookmeyer - trombone, Phil Woods - saxofone alto , Al Cohn - sax tenor, Bill Evans - piano
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quarta-feira, dezembro 12, 2007


A mulher e o lobo (1971)




EDUARDO LUIZ (1932-1988)


Hoje é a vez de falar de outra das minhas fixações de sempre, Eduardo Luiz.


Fui ao Palácio Anjos, em Algés, onde se encontra exposta parte da colecção do falecido "marchand"de arte e galerista, Manuel de Brito, e que, até 13 de Janeiro tem como tema os anos 60 da pintura portuguesa. Em destaque, o pintor quase esquecido e raramente falado, Eduardo Luiz. A sua obra encontra-se algures entre o surrealista e o neo-figurativo, com muito trompe l'oeil.


A mulher e o lobo é uma das 28 obras expostas. Achei esta obra particularmente interessante, enquanto nos transmite apenas o reflexo da floresta, permanecendo a floresta propriamente dita num escuro total de onde sobressaem as figuras, vítima e predador, a sublinhar o seu lado negro, aquele que nos atemoriza (cuidado com o papão...).



Marquise de Pomme (1981)


E mais este exemplo da sua prolífica e espantosa produção para estimular a curiosidade de quem, porventura, não se tenha ainda apercebido de que também nós tivemos um Magritte (afirmação ousada, à luz da ironia tão presente em Eduardo Luiz).