quinta-feira, abril 10, 2008

terça-feira, abril 08, 2008

Ooleya Mint Amartichitt




Ooleya Mint Amartichitt, cantora griot nascida na tribo de antepassados nómadas Ulâd Mubarâk, na Mauritânia, África Ocidental, foi a escolhida para me acompanhar neste dia chuvoso e cinzento, em sintonia com a fotografia que a National Geographic teve a amabilidade de me ceder e que forra o tampodaminhasecretáriavirtual (desktop). Ambos se conjugam para iluminar os meus pensamentos, fazendo-me sonhar com desertos onde, provavelmente, nunca porei os pés. O seu CD "Praise songs", o único que lhe conheço, mostra-me a beleza e a força desta voz que perpetua sons ancestrais desta zona de África.



Este vídeo faz jus à cantora. Por isso, aqui fica como testemunho das coisas belas do planeta Terra.

quinta-feira, abril 03, 2008

&etc

Um destes serões fui surpreendida por um documentário no Canal 2 da RTP sobre a editora &etc e seu fundador, seu coadjuvador e alguns escritores que com ela têm editado, convidados a sobre ela dizerem o que lhes vai no coração. Não vi tudo desde o princípio mas acho que vi o essencial. Não há ninguém com vícios de ler em português que não conheça, pelo menos por fora, aqueles livrinhos quadrados com umas capas que são do melhor grafismo que se pode por aí encontrar. O papel utilizado é encorpado, tipo entre o reciclado e o vergé, muito apelativo para quem também gosta do livro-coisa-física. O único senão era, antigamente, o preço. Isto do ponto de vista de uma estudante sem cheta no bolso, há trinta anos atrás. Passada a época da penúria, lá adquiri alguns volumes que muito prezo e que fui a correr rever, quando do documentário.

Ao que parece a &etc, criada em 1973, por Víctor Silva Tavares, nunca faz reedições dos seus livros («por uma questão de princípio»), não tem fins lucrativos, edita autores desconhecidos e as suas tiragens são muito pequenas. Claro que alguns destes autores são hoje bem conhecidos e reconhecidos: Alberto Pimenta, Adília Lopes, o falecido João César Monteiro ou Eduarda Dionísio, por exemplo.

A Sede da editora fica numa sub-cave da Rua da Emenda, em Lisboa, o subterrâneo, como lhe chama V. S. Tavares (e o nome da empresa é: Edições culturais do subterrâneo), e tem uma porta magnífica, como se pôde ver no documentário. A impressão é, regra geral, feita, tanto quanto percebi, numa antiga tipografia com entrada pela Rua da Alegria, o que também não deixa de ser fascinante, pela sua localização carismática, vizinha do jazz, da revista e do luxuriante jardim botânico.
O jornal "O Público" publicou, há cerca de um ano atrás, um artigo muito interessante sobre Victor Silva Tavares, que poderá ser lido aqui e que mostra como só uma pessoa como ele poderia levar por diante este projecto contra-corrente e marginal, feito de ideais e sonhos, quimeras e outras coisas que tais, tudo menos dinheiro. Claro que teve mecenato, mas isso é o que é devido ao artista pela ordem justa das coisas.
Não consegui ligações cibernéticas com o documentário (que adorava ter para rever e compro se por aí aparecer), mas deixo aqui o grande final do programa "Câmara Clara" de Paula Moura Pinheiro, onde é possível ver, para além do artista editor, um dos seus mais queridos editados, Alberto Pimenta, em momentos de grandiloquência palativa.

terça-feira, março 25, 2008

O cão, o gato e o rato



Milagre!??? O cão tem o olhar de quem está a viver algo que não é deste mundo, mas antes do Além ou da Terceira Dimensão enquanto implora, por favor "tirem-me deste filme", agindo como se levasse às costas umas toneladas de peso ou o peso de uma grande responsabilidade. O gato deve-se ter esquecido do que transporta, mas está-lhe a saber bem o quentinho nas costas que lhe vem do rato, somado ao que lhe vem do cão e, quanto ao rato, bom, o rato só pode estar paralisado de terror... A banda sonora, essa sim, está muito bem metida, a exprimir o espanto, a enfatizar o grande momento, e a transmitir-nos a esperança de que, tal como o maestro israelita, Daniel Barenboim, conseguiu, é possível juntar israelitas e palestinianos numa mesma orquestra e conseguir dar concertos de Wagner em Jerusalém, sobrevivendo ao evento.

domingo, março 23, 2008

A Páscoa com Fred Astaire



PÁSCOA FELIZ! Para todos os que passarem por aqui e também para os que não passarem, claro. E para abater os kilitos extra, ganhos com as amêndoas e os folares, é só tentar imitar o Fred. Vejam como era elegante. Agora, acho que o rapazinho lhe devia ter cedido o coelho, como paga pela espantosa performance.

sexta-feira, março 21, 2008

'You Must Believe In Spring' - uma lição de jazz ao piano


(jazz2511)

No dia Mundial da Poesia

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.

(in "Poesia: Ó Véspera do Prodígio!", de Natália Correia, 1990)

quarta-feira, março 19, 2008

terça-feira, março 18, 2008

William Parker e os Olmecas




Dei comigo a matar saudades de um álbum que já há algum tempo faz parte da minha colecção - "Long Hidden: The Olmec Series", de William Parker (AUM036) e que, acho, merece ser aqui referenciado. William Parker, já por mim mencionado neste blogue, é um músico com uma amplitude musical do tamanho do Mundo e uma visão do tamanho do Universo, passado, presente e futuro. Basta apreciar a sua vasta produção musical, para se perceber a sua constante labuta na interligação das várias correntes musicais, numa captação de energia e espiritualidade de ordens tão diversas, com resultados tão espantosos como este exemplo que hoje aqui deixo. Como é possível juntar contrabaixo, saxofones, percussão, acordeão, doson ngoni, congas, tímbales, sons do Mali e dos Olmecas (antepassados dos Maias e dos Astecas), sem trair as suas origens, e continuar a soar a jazz? A maioria da música de fusão que conheço atraiçoa de forma intragável a alma das suas convocações. Mas, se, conforme W.Parker explica, existe uma ligação ancestral entre os povos da costa ocidental de África e os da América Central, já que os Olmecas falavam um dialecto mandingo, e tendo o jazz origens afro-americanas, talvez resida aqui a resposta para esta feliz conclusão.
Para ouvir excertos, procurar W.P. aqui , onde se podem encontrar ligações para outros lugares em que se fala desta obra e do seu autor.

sexta-feira, março 14, 2008

Ennio Morricone - O Bom, o Mau e o Vilão



Não tenho dúvidas: A banda sonora do filme de Sergio Leone, "Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo" (1966)é das melhores e mais peculiares de todos os tempos. E ouvi-la sem ver o filme não lhe tira nada, ao passo que o contrário, o filme sem ela perderia muito. Porque se este filme é magnífico, deve-o, sobretudo, ao brilhante realizador Sergio Leone (Roma,1929-1989), à excelente escolha de actores e sua impecável interpretação, e ao compositor Ennio Morricone (Roma,1928-) que conseguiu, nesta banda sonora, utilizar todos, e somente esses, os sons que traduzem as memórias das pradarias do Oeste Americano, dos seus pistoleiros, do Western que nos habituámos a ver desde sempre, na TV e no Cinema, aqui estilizados e eternizados. O mesmo diria do filme em si, já que, sem desperdício, cada uma das suas imagens eterniza e presta homenagem ao velho Western do cinema americano, e de tal forma lhe vai à essência que lembra uma caricatura muito bem esgalhada daquelas que conseguem retratar tudo o que interessa do objecto retratado - nem mais nem menos - somente isso, que é tudo.
Nunca gostei muito de westerns nem tão pouco sou grande apreciadora do estilo musical de Ennio Morricone, mas não tenho dúvidas de que tanto ele como Sergio Leone, para além da sua histórica colaboração, foram, são e serão sempre dois magníficos, cada um no seu género e os dois em conjunto.